10 de julho de 2026
Geral

Carreata de S. Cristóvão reúne centenas de motoristas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Um buzinaço pela manhã anunciou a carreata de São Cristóvão aos moradores de Bauru. Centenas de veículos de diferentes tamanhos, marcas e tipos acompanharam o Corpo de Bombeiros com a imagem do santo até a igreja, no Jardim Europa. O entusiasmo dos participantes motivou o padre a sair do “script” e a proceder uma benção extra dos carros, programada para o período da tarde.

A carreata, que já se tornou uma tradição na cidade, contou com mais de 500 veículos de Bauru e região. Na saída do Sindicato das Empresas de Transporte de cargas de Bauru (Sindbru), na quadra 43 da avenida Nações Unidas, a fila de carros chegava próximo do Ceasa. No trajeto, outros carros foram se engajando no movimento.

Durante a benção dos veículos, um fato chamou a atenção dos fiéis de São Cristóvão. Um catador de recicláveis levou seu “carro” para receber a benção do protetor dos motoristas.

Após a carreata e buzinaço, os motoristas e suas famílias participaram de uma missa, seguida de almoço. Para o padre Luiz Antônio Lopes Ricci, a festa foi da família. “Este é o meu primeiro ano nessa paróquia e fiquei feliz em observar que os camioneiros trouxeram mulher e filhos para agradecer a proteção de São Cristóvão.”

Na opinião de Ricci, a comemoração do protetor dos motoristas é um momento único em que a família reza, agradece e festeja. “A festa dos motoristas concilia festa e a fé, que deve ser o fundamento”, afirma.

A tese do pároco foi confirmada através de um passeio pelo local onde era servido o almoço. Geraldo Rodrigues de Almeida, 58 anos, 18 deles dedicados à profissão de caminhoneiro, garante que não perde uma só festa do padroeiro dos motoristas e, pela segunda vez, foi o ganhador da imagem do santo. “Todos os anos, eu e minha mulher comparecemos para agradecer.”

Motivos para agradecimento não faltam. “Eu carrego uma imagem de São Cristóvão no painel do caminhão e outra na carteira. Sofri um acidente e a primeira coisa que pensei foi nele. Recebi uma graça e todos anos venho agradecer.”

João Mariano de Souza, 58 anos, 37 deles como caminhoneiro, participa da benção dos veículos porque se sente protegido pelo santo. “Já enfrentei situações difíceis e pedi a proteção de São Cristóvão”, revela.

João Antônio Mangaba, 44 anos e há 20 anos caminhoneiro, foi pela primeira vez para pedir proteção. Aproveitou e almoço com os colegas de profissão.

Atravessando pessoas

São Cristovão era um homem forte e alto que resolveu fazer o bem, após ser convertido. Optou por ajudar as pessoas a fazer a atravessia de um rio. Um dia, ele colocou um menino nos ombros para atravessar de um lado a outro do rio com forte correnteza. No trajeto, percebeu que o menino pesava cada vez mais. “Ele carregava o menino Jesus, o salvador do mundo”, conta o padre Ricci.

A lição, na opinião do pároco, está na decisão de fazer o bem. “Nós também podemos optar pelo bem. No trânsito, o motorista deve respeitar a si mesmo e o seu semelhante, cooperando para que ele faça a travessia da vida sempre com dignidade.