08 de julho de 2026
Cultura

Monólogos da vida comum

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Jogar luz sobre as figuras anônimas que habitam nosso cotidiano é o que o Grupo Tapa pretende com as histórias de “Retratos Falantes”. O espetáculo, uma reunião de quatro dos seis monólogos escritos pelo inglês Alan Bennett, é um relato feito com muito humor sobre a vida de pessoas comuns.

Em Bauru, a apresentação dos monólogos, que são independentes, foi dividida em duas sessões. Na última quinta-feira, o grupo apresentou “Fritas no Açúcar”, com Brian Penido Ross, e “A Senhora das Cartas”, com Beatriz Segall. Hoje é a vez de Bárbara Paz e Clara Carvalho revelarem as personagens de “A Sua Grande Chance” e “Uma Cama entre Lentilhas”, respectivamente.

“Queremos mostrar como histórias comuns podem ser tão extraordinárias”, explica o diretor do grupo, Eduardo Tolentino de Araújo, sobre a concepção do espetáculo, em entrevista concedida ao JC Cultura, na última semana.

O texto original de “Retratos Falantes”, escrito em 1987, foi feito sob encomenda para a TV britânica BBC. Devido ao sucesso do programa, o próprio Alan Bennett adaptou os textos para o teatro. Segundo Araújo, o Grupo Tapa pretende ainda montar “Seguindo em Frente” e “Um Cream Cracker Atrás do Sofá”, os dois monólogos restantes.

Retratos

Por motivos de saúde, Bárbara Paz substitui Chris Couto em “A Sua Grande Chance”. A atriz, integrante do Grupo Tapa, encarou o desafio para o qual teve apenas cinco dias para se preparar. “Eu já tinha visto o espetáculo e como não estou em cartaz durante a semana, deu para conciliar”, conta Bárbara.

“A Sua Grande Chance” narra a história de uma atriz em busca de um grande papel. Lesley, uma figurante de cinema, é uma dessas atrizes que sabe de todos os testes que acontecem na cidade, não perde uma noite de estréia e é figura carimbada nas festas do meio artístico, à espera de um convite de trabalho. “É encantadora a personagem, aliás, todas desses monólogos são. No caso da Lesley, o enredo chega a ser muito engraçado porque tem muita gente nessa mesma fila em busca da fama”, considera.

Segundo a atriz, a peça faz mostra como uma carreira pode tornar-se fútil com a busca, simples, pela fama. “É uma crítica à própria carreira. A personagem não tem noção real do que é ser atriz. E acaba indo por um caminho pelo qual muitos vão: o mais fácil”, adianta sobre a peça.

Já em “Uma Cama entre Lentilhas”, a atriz Clara Carvalho apresenta Susan, esposa de um reverendo anglicano, que vive no lado oposto, entre cerimônias de rotina, quermesses beneficentes, corais vespertinos e arranjos florais, atividades para as quais ela não tem nenhuma aptidão. Refugiada no álcool, que pode até ser o vinho da missa, ela vai ter uma revelação no fundo de armazém, entre sacos de lentilhas.

Segundo material de divulgação, ambas as personagens são retratos da solidão contemporânea. Entre a vida cinzenta de uma e o mundo cintilante de outra, são capazes de falar em detalhes de si mesmas, mas incapazes de dar o passo ou fazer o gesto que lhes traria alguma libertação.

Para Bárbara, o público sempre acaba se identificando muito com cada retrato apresentado no palco. “Acredito que a função do teatro seja justamente essa: fazer com que as personagens sejam um espelho para muita gente”, avalia.

• Serviço

“Retratos Falantes”, hoje, às 21h no Sesc. Ingressos: R$2,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes), R$4,00 (usuário inscrito, estudantes com comprovante, professores da rede pública e maiores de 60 anos) e R$8,00 (demais interessados). O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1752.