09 de julho de 2026
Articulistas

O IDH e a felicidade


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O IDH que é o Índice de Desenvolvimento Humano e foi criado porque o PIB (Produto Interno Bruto) per capita não representava a melhora da qualidade de vida das pessoas, nem media o grau de satisfação e felicidade da população. Então, acrescentaram ao PIB per capita: a escolaridade média e a porcentagem de crianças, adolescentes e jovens matriculados em escolas de 1o grau, 2o grau e 3o grau; e mais o número de leitos hospitalares por habitantes para medir a saúde da população, criando assim o IDH.

Ora, quais desses três sub-índices do IDH têm mais peso para tornar as pessoas mais satisfeitas e felizes? O PIB per capita, diriam os economistas, pois quanto mais economia, mais renda e mais bem estar. Mas, o PIB da economia está concentrado na mão de poucos e as grandes empresas que produzem seus produtos para fora dos municípios, onde se encontram. Estas empresas crescem e melhoram muito. Logo, os assalariados vivem como injustiçados. Eles estão sempre vendo os grandes melhorando muito e vendo pouca melhora na qualidade de vida suas e de seus dependentes, que vivem perto dos locais das indústrias onde trabalham.

Diriam os defensores da Educação que o aumento dos índices de matriculados tornaria os cidadãos mais educados, logo mais felizes. Não, quanto mais educados os indivíduos, maiores as suas expectativas, maiores serão as suas frustrações na hora de enfrentar as realidades do mercado. Uma diretora de escola de 2o grau me disse que 90% dos alunos que complementam 2.º grau em Lençóis Paulista saem para viver em outros municípios. Lençóis Paulista, sendo muito industrializada e com altos índices de matriculados, não coloca seus próprios filhos. Além disso, também, a educação injusta gera injustiça social. Em Lençóis Paulista, duas escolas de 2o grau privadas estão entre as melhores do Enem do estado e outras duas escolas de 2o grau públicas estão entre as piores do estado. Logo, os índices da educação não trazem justiça social e muito menos satisfação e felicidade.

Para terminar, o índice de número de leitos hospitalares por habitantes, segundo os defensores da Saúde Pública melhoria a qualidade de vida das pessoas, mas estes diminuem principalmente os leitos para casos graves de alta complexidade, que são disputadíssimos. Na hora que são necessários causam muito estresse às equipes médicas, para-médicas e, principalmente, às famílias dos pacientes que precisam deles urgentemente. Por aí evoluímos pouco, como exemplo, um hospital psiquiátrico da região de Bauru foi fechado e os outros da mesma ficaram mais sobrecarregados. Os ambulatórios de Saúde Mental da região estão, também, sobrecarregados de casos graves que precisam de leitos e isto deixam os familiares desses casos desesperados na falta desses leitos que fecharam.

Parece que o enorme esforço para melhorar um pouco o índice do IDH parece não reverter numa melhora perceptível pelos indivíduos da população do grau de satisfação e felicidade que a melhora desses índices deveriam trazer. Estes índices podem medir dados objetivos da qualidade de vida de uma população, mas os subjetivos, não.

O autor, Carlos Manuel Cristóvão, é médico e psiquiatra