10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O mau exemplo de um governo que não consegue olhar o próprio rabo!


| Tempo de leitura: 4 min

Nos dias atuais muito se fala e comenta-se a respeito do aquecimento global com a alta emissão do dióxido e monóxido de carbono (CO2) proveniente dos veículos nas grandes cidades e pelas queimadas indiscriminadas (em nossa região pela cultura canavieira) e o que isto representa para o futuro do planeta. O assunto tem sido ventilado pela mídia constantemente, enfatizando-se que cada cidadão tem uma parcela de responsabilidade para que o problema possa ser resolvido ou, pelo menos, amenizado, além das ações realizadas pelos poderes públicos, afirmação esta que não deixa de ser verdade! Mas quem transita pela Rodovia Marechal Rondon, indo de Pirajuí para a Capital se prestar bem atenção vai constatar um fato inusitado que vem acontecendo há anos e que é um mau exemplo praticado por quem deveria ser exemplar nesta questão: o governo do Estado através de um órgão público que é o Departamento Estadual de Rodagens, sob o comando do governador José Serra, do PSDB.

Pois bem, quando se chega próximo do quilômetro 349, que fica um pouco antes do trevo da antiga CEESP (saída 348), portanto bem na porta de Bauru, no acostamento há uma mancha negra provocada pelas constantes fogueiras ali ateadas onde são queimados restos de bandagens que constantemente se desprendem de pneus recapados de caminhões que transitam na Rodovia Marechal Rondon, e que, se deixados nas pistas de rolamento, com certeza serão causadores de inúmeros acidentes, principalmente com veículos automotores de menor porte, tais como carros de passeio e, principalmente, motocicletas que agora pagam também pedágio.

Muito louvável esta atitude de “limpezas” praticadas pelos funcionários que trabalham nas 24 horas ininterruptas com a finalidade de prestar socorros mecânicos aos mais diversos usuários que transitam por esta rodovia e que, talvez, nem esteja sob a sua responsabilidade esta ação realizada por eles o tempo todo e que, como já foi dito, pode ser causadora de graves acidentes se estes detritos de borracha permanecerem por algum tempo nas pistas de rolamento, principalmente durante a noite.

O problema é que este material todo é recolhido por estes zelosos funcionários e levado para aquele ponto do acostamento da pista sentido interior-capital onde ele é armazenado por certo tempo até que se junte uma quantidade razoável destes resíduos que e, em seguida, são queimados, o que com toda a certeza, provoca sérios danos ambientais com a emissão de monóxido de carbono além de outros gases provenientes da queima da borracha sintética, entre ele o enxofre. Isto sem falar que naquele local não deverá vegetar nada por um bom período de anos com as constantes incinerações destes materiais sobre o solo. E aqui cabe lembrar que o município de Bauru tem uma lei que penaliza quem atear fogo em terrenos baldios ou mesmo restos vegetais de jardins ou coisa parecida.

Desta forma estes funcionários que são terceirizados, e que vem praticando este tipo de coisa devem estar devidamente autorizados por uma chefia da empresa terceirizada responsável por este serviço e são assim ainda, com certeza, fiscalizados por uma diretoria pertencente ao DER encarregada maior assim deste serviço de atendimento ao usuário e que, portanto, fica claro assim que tanto a empresa como seus funcionários cumprem apenas ordens superiores.

O que deve ficar bem mais claro ainda é que estes funcionários cumprem com o seu dever que é dar este atendimento de socorro a todo aquele que assim precisar e, talvez, estejam até fazendo um serviço a mais fora de suas funções, pois esta limpeza pode estar afeta a outra empresa terceirizada e que é responsável pela conservação e limpeza da rodovia.

Portanto, caberia ao DER através de seu diretor responsável dar o exemplo e não fazer vista grossa ao que já vem acontecendo há anos e dar a correta orientação a estes funcionários para recolham este material sem queimá-los para que, em seguida, sejam sim armazenados e encaminhados a uma empresa de reciclagem, para se dar um fim ecologicamente mais responsável a este material.

Desta forma, é lamentável que o responsável por este serviço, pertencente a um órgão publico, que com certeza deve ter nível superior e, portanto com condições de saber o que é certo ou errado, não perceba que tal prática pode ser configurada como crime ambiental. Mais lamentável ainda e que ele não tenha condições de alocar recursos, com toda a estrutura que um órgão público de porte do DER tem, para resolver de vez esta situação irresponsável para com o Meio Ambiente e que, além de tudo, é uma mostra de mau exemplo de quem tem por obrigação dar o exemplo.

E o mais interessante é que outro órgão público, também estadual, a Cetesb, que tem como função fiscalizar o cumprimento das Leis Ambientais em nossa região, tem sua sede abrigada em salas pertencentes as dependências da sede do DER de Bauru e, portanto, bem próximo do diretor infrator! E a lei? Será que ela vale só para nós, pobre mortais, e para o Governo não!

Cássio M.Cardozo de Mello Filho - Instituto Sócioambiental da Noroeste Paulista - Isanop - RG 3.206.168