De uns tempos a esta parte se faz notória a preocupação do governo nas lutas a serem travadas em favor das causas sociais, priorizando o encaminhamento do homem para produção de alimentos no campo, inclusive através da agricultura familiar, objetivando minorar a fome, gerada pelo desemprego existente no País. Na verdade, trata-se de uma política de suma importância; todavia, para que a pobre e sofrida e triste humanidade de baixa ou, de sem nenhuma renda, possa se estabelecer ao longo do imenso território nacional, não seria o caso de se fazer retornar ao tráfego os trens de passageiros como benefício social de relevo: mediante utilização dos traçados de linhas já existentes?
Vale lembrar que nos países civilizados, como é o nosso, o governo subsidia esse transporte. Observe-se estarmos frisando à inexistência de transporte de “passageiros”. No que tange ao fluxo de “carga”, importante salientar, por outro lado, que nenhum país de dimensões semelhantes as do nosso apresenta uma disparidade tão acentuada por modais de transporte. Nos Estados Unidos a ferrovia transporta 40%, na Rússia aproxima-se de 70% e nos países menores como França e Alemanha fica em torno de 40%.
No Brasil recai sobre o sistema rodoviário a responsabilidade de escoar 56 % de nossas riquezas diante de 25% do ferroviário. Se a nossa distribuição se aproximasse dos padrões norte-americanos, economizaríamos, segundo estudos disponíveis nos meios técnicos, mais ou menos 10 bilhões de dólares em fretes a cada ano. Basta inferir o que esta cifra representa em termos de acréscimo de preço aos produtos para concluir que perdemos, também, em competitividade nos mercados mundiais.
Wanderley Brosco - chefe geral de estação aposentado