08 de julho de 2026
Articulistas

Leis e cavalos


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Bauru, que graças ao trabalho e clarividência da sua Casa Legislativa, ostenta a exemplar bandeira da defesa dos animais de circos e espetáculos, impedindo-os de se apresentarem no município e livrando-os assim de maus tratos e abusos, hoje regride em seu conceito ambiental. Estranha e inexplicavelmente, no dia 4 de agosto um Projeto de Lei que regulamenta o trânsito de carroças com tração animal é aprovado tornando obrigatório, apenas, registros das carroças, condutores e animais, para maior controle por parte da prefeitura.

É neste particular que tal atitude entra em total conflito com o anterior procedimento dos legisladores que antes se mostraram tão altruístas, humanos e defensores dos animais.

Os animais vindos de fora são protegidos e defendidos enquanto os nossos trabalhadores, puxadores de carroças, são totalmente marginalizados e deixados à própria sorte, nas mãos de seus donos, como sinaliza esse projeto.

Pelo que consta na notícia publicada no Jornal da Cidade, nenhuma exigência foi estabelecida quanto à saúde, manutenção ou tratamentos que demonstrem que os animais estejam sendo bem cuidados pelos seus proprietários, dentro os parâmetros de respeito e proteção que toda a fauna merece e tem direito de receber.

Não será necessário ficar usando de retórica para verificarmos os maus tratos que esses pobres animais sofrem diariamente, mesmo sendo, na maioria das vezes, provedores indiretamente das famílias que os mantêm. Basta apenas parar e observar as carroças que transitam pelas nossas ruas: animais magros, sujos e às vezes até mancando, puxando carroças pesadíssimas, até com material de construção e ainda sendo açoitados para apressar os passos e garantir os ganhos do dia.

É revoltante o que acontece com alguns desses animais que precisam de homens que os defendam. Não quero generalizar por que muitos proprietários de carroças e animais são pessoas de bem, conscientes, que respeitam e cuidam de seus preciosos companheiros e colaboradores. Conheço, inclusive, vários deles, com os quais colaboro doando recicláveis toda a semana.

Meu apelo é que alguma providência seja tomada no sentido de se fazer justiça, colocando pesos iguais na balança. Nem tudo está perdido e é para isso que existem as preciosas “emendas” e Deus para nos guiar.

A autora, Kleber G. Silva, é aposentada da Educação