11 de julho de 2026
Internacional

Bolívia: Morales fala em ‘ditadura civil’

Folhapress
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Cochabamba - Impedido de chegar a bastiões da oposição nos últimos dias, o presidente da Bolívia, Evo Morales, escolheu a majoritariamente governista e indígena El Alto, na região metropolitana de La Paz, para encerrar a campanha ao referendo revogatório de domingo, quando estarão em jogo o seu mandato e os de oito governadores.

Segundo as pesquisas, Morales terá no domingo os votos necessários para ficar no poder. O governo espera ainda que alguns governadores de oposição sejam destituídos no mesmo referendo, e que o resultado crie ambiente político para a aprovação da nova Constituição nacional. Mas a crise política instalada no país mais pobre da América do Sul deve intensificar-se enquanto os adversários direitistas dele continuam tentando bloquear suas reformas de cunho socialista.

Num palco armado em um viaduto, protegido por milhares de pessoas na cidade em que 90% lhe apóiam - a maior taxa do país -, Morales classificou de “ditadura civil’’ os protestos de grupos que impediram sua presença ou a de seus ministros em regiões governadas pela oposição.

“Estão tomando aeroportos, tentando tomar algumas instituições, não permitem que cheguem os ministros a algumas regiões. São ditaduras civis, antes eram militares. Saudamos as Forças Armadas por se somarem ao processo de mudança”, disse.

Ontem foi o Dia das Forças Armadas. E mais cedo o presidente havia dito o mesmo no desfile militar e indígena no departamento de Cochabamba, que, embora governado pela oposição, é seu berço político.

O comandante das Forças Armadas, Luis Trigo Antelo, que pediu o fim dos atos violentos para que o país não vire “Angola, Congo ou Haiti’’, mas as palavras mais fortes vieram do ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, para quem a Bolívia está “às portas de um verdadeiro golpe de Estado contra a ordem constitucional’’.