O câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) completa 20 anos com 86% dos professores concursados com titulação de doutor. Em 15 de agosto de 1988, quando foi promulgada a encampação da então Universidade de Bauru (UB), apenas três professores haviam defendido tese. A busca pela qualificação também ajudou a combater o estigma de “prima pobre”, lamentado pela comunidade unespiana local por anos a fio.
Se já houve época em que o câmpus de Bauru era um dos que menos recebiam investimentos em infra-estrutura, atualmente ocupa a 11.ª colocação entre os 33 câmpus da instituição. “Tem muita coisa a fazer, mas melhorou muito. Só do ano passado para cá foram investidos R$ 10 milhões em infra-estrutura”, informa o presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), Henrique Luiz Monteiro.
De acordo com ele, no final do ano passado o reitor da Unesp, Marcos Macari, pegou projetos de laboratórios de Bauru e foi a Brasília buscar recursos federais decorrentes de emendas parlamentares. “Teve êxito. A Reitoria investiu mais no câmpus de Bauru. Isso depende de esforço da Reitoria e do corpo docente. Se tem bons projetos, consegue submetê-los em várias esferas do governo, agências de fomento e captar recursos”, explica Monteiro, também diretor da Faculdade de Ciências (FC) da Unesp.
Na FC, 95% do corpo docente concursado tem título mínimo de doutor. “Em Bauru, somos quase 500 doutores”, reitera o presidente do GAC. Tantas titulações também ajudaram a mudar o perfil da instituição na cidade. Atualmente o câmpus local foca não só no ensino, como também em pesquisa e extensão. Desta forma, ainda contribui diretamente com a comunidade, na opinião do presidente do GAC.
Extensão
Por meio de extensão, a Unesp oferece em Bauru cursos de inglês, espanhol e informática a pessoas carentes, entre tantos outros projetos. Não à toa, parte dos cerca de seis mil alunos (graduação e pós) matriculados na cidade são de outros Estados e cidades distantes. “Entre 20% e 25% vêm da grande São Paulo, mas o percentual oscila de ano para ano”, comenta Monteiro. Na época da encampação, a maioria deles era de Bauru ou de municípios próximos, enfatiza.
Os 12 cursos de pós-graduação (strictu sensu) oferecidos pelo câmpus de Bauru também são atrativos. No geral, profissionais bem qualificados formados pela Unesp em Bauru são inseridos no mercado de trabalho local ou tornam-se empreendedores no próprio município, avalia Monteiro.
“Se Bauru ocupa a 6.ª colocação no ranking de desenvolvimento municipal da Firjan, eu diria que a Unesp, nestes anos todos, cumpriu um importante papel para que se consolidasse dessa forma”, conclui.
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Orçamento
O atual orçamento do câmpus da Unesp de Bauru representa cerca de um quarto dos R$ 280 milhões referentes ao da cidade de Bauru. Ao todo são R$ 68.953.982,43, informa a assessoria de imprensa da universidade. Em percentuais, o montante significa 6,24% dos R$ 1.105.031.769,69 destinados à toda instituição, de acordo com a execução financeira de 2007.
No entanto, 90% do valor total são destinados ao pagamento de compromissos trabalhistas. Para custeio, a cifra prevista em todo o Estado cai para R$ 56 milhões, sendo que R$ 4,5 milhões foram liberados para o câmpus em Bauru. O número exclui os recursos para infra-estrutura e permanência estudantil, por exemplo, e já foi bem menor. Era de R$ 1,5 milhão.
Os R$ 3 milhões a mais foram obtidos graças à gestão de Marcos Macari. Ele mudou o cálculo para a liberação da verba, informa o presidente do GAC, Henrique Luiz Monteiro. De acordo com o professor, atualmente leva em conta fatores como números de alunos e tipo de laboratórios.