08 de julho de 2026
Regional

Ladrões ‘seqüestram’ carros

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Assis - Uma nova onda de furtos de veículos seguidos de extorsão está em atividade em Assis (180 quilômetros de Bauru). No primeiro semestre deste ano, mais de 50 carros foram furtados no município e alguns deles só foram devolvidos após o pagamento de “resgate“. Cada veículo tem um valor de extorsão e há casos, inclusive, de pagamentos parcelados.

A situação inusitada acontece desde 2002, quando ocorreu a primeira onda desse tipo de crime, comenta o titular da DIG de Assis, James Eusébio Pedro Júnior. “Nessa época, prendemos algumas pessoas envolvidas e outras eram menores e não chegaram a ser presas.”

Nos meses seguintes, as prisões e os furtos seguidos de pedido de extorsões ficaram “hibernados”. “Em 2005, eles voltaram a atacar na mesma modalidade criminal. Este ano, eles estão em ação de novo.”

O delegado reclama da legislação. “O que dificulta a ação policial é a legislação. No mês passado, prendemos 12 menores numa ação conjunta com a polícia militar, dois morreram acidentados. Nessa modalidade criminal são cerca de 17 menores envolvidos. A gente faz o BO e entrega para a família. No dia seguinte, às vezes, no mesmo dia, eles voltam para a rua.”

Os maiores presos na primeira vez já cumpriram pena e estão de volta às ruas da cidade. “Os outros presos por extorsão cumpriram pena e foram beneficiados pela progressão criminal. A gente pega um ladrão num dia e no outro ele está solto. Às vezes, volta para as ruas no mesmo dia. É direito individual do preso.”

Na opinião do delegado, a vítima paga para resgatar o seu veículo porque fica com medo. “Eles praticam o furto e ligam para a vítima. Com medo, ela paga a extorsão e a polícia só fica sabendo dos fatos após o pagamento.”

Ele acha que virou um circulo vicioso. “Nós não temos como convencer a população a desistir do pagamento, porque não podemos garantir a localização do veículo.”

Embora o delegado negue a existência de pagamento parcelado do valor da extorsão, uma fonte extra oficial garante que isso ocorre na cidade. Segundo a fonte, há vítimas fazendo pagamentos com cheque pré-datados.

Pelos cálculos do titular da DIG, há mais de 50 envolvidos. “Estamos fazendo um levantamento para nomear todos os envolvidos.”

Modo de operar

Os ladrões subtraem os veículos de todos os tipos em qualquer lugar da cidade. Entram em contato com a vítima e pedem a extorsão. Começam sempre com um valor alto, próximo a um quarto do valor real do carro. Se a vítima concorda, eles fecham negócio e marcam um local para pegar o dinheiro.

Um menor procura a vítima e pega o dinheiro, horas ou dias depois o carro aparece intacto. Se não houve concordância no valor, os infratores negociam até chegar em um denominador comum.