10 de julho de 2026
Nacional

Rio de Janeiro não tem terrorismo para sediar Olimpíada em 2016, defende Lula

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Pequim - Em campanha pela candidatura do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu ontem duas entrevistas coletivas a jornalistas estrangeiros na Embaixada do Brasil em Pequim.

Ele foi questionado sobre a segurança no País. Segundo relato do ministro do Esporte, Orlando Silva, o presidente foi “curto e incisivo” na resposta: “No Brasil não tem ETA (grupo terrorista basco)”, teria dito Lula. Madri também participa da disputa para sediar a Olimpíada 2016, assim como Tóquio e Chicago.

Em dois turnos de entrevistas, Lula recebeu na manhã de ontem agências de notícias e TVs internacionais, como China Daily, Associated Press, Chicago Tribune, L’Equipe, CCTV (canal estatal chinês), Al Jazira, BBC. Ele conversou primeiro com repórteres de texto e depois de televisão. Ficou 40 minutos com cada grupo e defendeu a candidatura Rio 2016. “O presidente foi duro, muito duro, falou que no Brasil não tem terrorismo, no Brasil não tem provocação política, e afirmou que medidas estão sendo tomadas para criar um ambiente mais pacífico”, relatou o ministro.

Como exemplo, Lula falou sobre investimentos sociais nas comunidades carentes do Rio de Janeiro e citou os Jogos Panamericanos realizados no ano passado no Rio - como exemplo de ambiente seguro para a comunidade internacional.

Além da segurança, a imprensa estrangeira questionou o fato de os Jogos Olímpicos serem um evento muito caro. Lula respondeu que se trata de um sonho brasileiro. “O presidente chegou a falar, inclusive, que até 2016 o Brasil será uma das cinco maiores economias do mundo, então o País tem potencial para realizar os Jogos Olímpicos e tem que acabar com essa história de que Jogos Olímpicos só podem ser feitos em país rico”, contou o ministro do Esporte.

Estratégia

A estratégia do governo brasileiro para levar os Jogos de 2016 para o Rio será mostrar o legado que o evento deixará para a cidade. De acordo com o ministro do Esporte, Orlando Silva, já foi criado um grupo de trabalho para planejar essa estrutura e apresentar à comunidade desportiva internacional.

“Temos que valorizar o que fica para o País de infra-estrutura, a importância para a juventude, a importância para o esporte”, ponderou o ministro em entrevista coletiva à imprensa, ontem, em Pequim. “O que vai ficar para a cidade pode ser o diferencial do Rio de Janeiro, porque Chicago, Madri e Tóquio são cidades prontas.”

Sobre o impacto dos Jogos Panamericanos no Rio de Janeiro, o ministro reconheceu que o legado poderia ter sido maior com melhor planejamento, mas citou melhorias. “O Rio de Janeiro se transformou numa Capital olímpica. Nenhuma cidade brasileira possui o padrão de instalações que tem o Rio de Janeiro, o Maracanã, o Maracanazinho, o Engenhão, o Parque Aquático, o velódromo, que é o único da América Latina com padrão olímpico, as instalações de tiro, de hipismo”, enumerou. “Poderíamos ter tido mais legados, mas (esses) foram os legados possíveis.”

Orlando Silva revelou outra estratégia brasileira: como se trata de uma eleição em vários turnos, o governo pretende trabalhar para que o Rio seja a segunda opção de voto da maioria dos 115 integrantes do Comitê Olímpico Internacional, que escolherão, em outubro do ano que vem, a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. “Isso pode ser decisivo no turno final”.