08 de julho de 2026
Geral

Raio-X da boca pode indicar osteoporose

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Um novo método de diagnóstico da osteoporose, mais fácil e barato, promete ajudar mulheres acima dos 50 anos a detectar – e tratar – a doença mais precocemente. Simples exames de raio-X da boca, aqueles rotineiramente pedidos pelos dentistas, têm ajudado um hospital de Brasília a identificar pacientes com risco maior de desenvolver osteoporose, uma doença assintomática, mas que enfraquece os ossos e pode levar à morte.

Na clínica de odontologia do hospital da Universidade de Brasília (UnB), as pacientes que têm o osso da mandíbula mais fino que o normal são logo encaminhadas para um médico reumatologista. “A espessura normal da mandíbula inferior é de quatro a cinco milímetros. Menos que isso, a pessoa já tem um grande tendência à osteoporose. Na radiografia, é possível ver áreas de erosão. É bem nítido”, afirma o cirurgião dentista André Leite, radiologista do hospital.

Ele chegou a essa conclusão após analisar os exames de 351 mulheres na pós-menopausa, grupo com maior risco de apresentar enfraquecimento dos ossos. Os dados estão em sua dissertação de mestrado na UnB, concluída recentemente. Estudos semelhantes realizados em países como Japão, Estados Unidos e Inglaterra têm apontado resultados parecidos.

Leite explica que o exame de raio-X não substitui a densitometria óssea, exame indicado para detectar a osteoporose. Nesse sentido, a radiografia panorâmica funciona como uma ferramenta para auxiliar no diagnóstico precoce da doença.

Perspectivas

Atualmente, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, em 70% dos casos a osteoporose só é descoberta quando o paciente sofre uma pequena queda que não deveria ter importância, mas resulta em ossos quebrados: um sinal de que a estrutura óssea já está fraca e a doença, em estágio avançado. Com a radiografia panorâmica da boca, as chances de perceber a osteoporose nos estágios iniciais será muito maior.

“Ao contrário da densitometria óssea, a radiografia panorâmica é um exame de rotina e muito mais barato. Sempre que o dentista encontrar alguma alteração óssea, ele vai encaminhar o paciente para tratamento médico”, comenta. Enquanto um raio-X custa, para o Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de R$ 9,00, a densitometria não sai por menos de R$ 55,00.

Uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a doença atinge 10 milhões de brasileiros e, embora acometa mais as mulheres na pós-menopausa, também não deixa os homens imunes. “Esses números tão elevados estão intimamente ligados à quantidade de desdentados no País. São 35 milhões de brasileiros com perda dos dentes e este é um problema também provocado pela osteoporose”, frisa Plauto Christopher Aranha Watanabe, professor da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto.

Segundo Watanabe, há 10 anos pesquisadores da USP estudam a técnica de pré-diagnóstico da osteoporose através do exame de raio-X bucal. Ele acredita que, se os profissionais da odontologia começarem a ser treinados para avaliar a perda óssea da mandíbula nas radiografias panorâmicas, a doença poderá ser mais precocemente detectada e melhor tratada.

Em Bauru

Em Bauru, as pesquisas utilizando a radiografia panorâmica da boca para detectar a osteoporose devem ser iniciadas no mês que vem pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP), conforme revela o professor titular do Departamento de Ortodontia, José Fernando Castanha Henriques. Segundo ele, uma professora da universidade está de viagem marcada para a Bélgica para conhecer a técnica de perto.

No entanto, Henriques calcula que levará pelo menos cinco anos até que o procedimento seja adotado dentro dos consultórios odontológicos de Bauru. “É um método viável, confiável e que vai entrar na rotina dos dentistas, sem dúvida. Mas eles precisarão ter um preparo para poder fazer esse diagnóstico. E essa capacitação só irá acontecer quando as pesquisas estiverem bastante difundidas”, pondera.