08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Schopenhauer. Representar é a essência do ser humano


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O homem existe. O mundo ao seu redor também. Há uma relação inevitável entre o ser humano e o universo. Essa relação é uma das questões trabalhadas pelo filósofo Schopenhauer, e é das problemáticas centrais em sua filosofia. O filósofo responde a esse problema de relação, usando-se do dualismo: sujeito e objeto. O indivíduo, como sujeito; o mundo, como seu objeto.

O sujeito é determinante ao universo, ao seu universo. É o sujeito que, dotado de consciência, percebe que há existência ao seu redor. Essa percepção, porém, não é perfeita, pois há um espaço intransponível entre o observador e o que é observado. Para isso, Schopenhauer conjectura suas respostas:

O objeto, isto é, a realidade que circunda o ser humano, não pode ser totalmente atingido pela compreensão humana. Mas o homem (sujeito) sobre esse objeto (realidade circundante) consegue fazer representações. Representar o universo é a capacidade/possibilidade da mente humana, e é a causa do seu conhecimento. Porém, representação, que é um apresentar de novo, impossibilita o sujeito de chegar à essêcia do objeto, ao númeno. O mundo possui sua objetividade - a verdade - mas o númeno da realidade é camuflado por aquilo que é possível ao homem conhecer: o fenômeno das coisas.

O fenômeno é justamente o espaço intransponível entre o sujeito e o objeto. É ele que o homem consegue entender, pois o campo fenomenico surge exatamente da tentavia do observador conhecer o númeno, o objeto em si. Por ser impossibilitado, apenas o representa, fazendo surgir, então, o que Schopenhauer chamou fenômeno.

Sendo que cada indivíduo faz essa tentativa de compreensão do númeno do objeto, logo, cada indivíduo cria uma representação fenomenica da realidade. Assim, cada sujeito é causa fundamental do seu universo, pois seu intérprete direto. Não há objeto (enquanto fenômeno) sem o ser humano, causa de sua representação. Porém, a realidade, coisa em si, independe do sujeito, pois o númeno não necessita do homem para existir. Para Schopenhauer, o universo visto por cada pessoa gera uma criação de sua forma de re-apresentar o mundo. Há apenas uma realidade, númeno-objeto, mas representada por inúmeros indivíduos que criam suas interpretações, fenômeno-sujeito.

O homem existe, e é subjetivo seu conhecimento do mundo. O mundo também existe, e existe objetivamente, mas se apresenta ao ser humano sob a máscara do fenômeno, totalmente submetido à representação do observador, que não podendo ser outro é o próprio homem.

Wellington Anselmo Martins