08 de julho de 2026
Bairros

Durabilidade depende do proprietário

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Os veículos mais antigos, excluindo os exemplares de colecionadores, estão pelo trânsito de Bauru. Com 20 anos ou mais, os ‘velhinhos’ mais comuns são os Fuscas, Chevettes, Brasílias, Fiat 147 e outros que, mesmo não apresentando excelentes condições de conservação, rodam diariamente pela cidade.

O engenheiro Carlos Alberto Soufen, professor do curso de engenharia mecânica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, explica que esses veículos foram realmente feitos para durar. Porém, ele ressalta que o que determina a vida útil de um carro é o cuidado dispensado pelo dono.

Carros fabricados há 30 ou 40 anos, por exemplo, foram feitos para durar assim como os fabricados hoje. Para tanto, é necessário tomar todas as medidas de conservação; dessa forma, a vida útil será bem longa. “O que diferencia os veículos produzidos no passado, há 25 ou 30 anos, é a potência do motor e o peso do veículo”, explica.

De acordo com Soufen, antigamente os veículos eram fabricados com materiais mais pesados que influenciavam diretamente em seus rendimentos. Depois de 1992, quando houve a abertura do mercado brasileiro para a tecnologia estrangeira, as montadoras puderam recorrer cada vez mais a novos produtos, equipamentos e pesquisas em favor de um melhor desempenho dos carros.

Oficinas

Quem lucra mais com os ‘velhinhos’ são as oficinas instaladas nos bairros de Bauru, onde os carros antigos são mais fáceis de serem encontrados. Na oficina do avô de Rafael Ferrini, instalada na rua Gustavo Maciel, os veículos com fabricação superior há 20 anos representam 15% do total de carros que entram no estabelecimento por mês para manutenção.

“Além de precisar de manutenção constante, as peças para esse tipo de veículo têm preço elevado e são difíceis de serem encontradas. Em alguns casos já nem existem mais”, afirma Ferrini, que é gerente do estabelecimento.

Os carros antigos é que garantem o movimento da oficina mecânica de propriedade de Marcos Donese, localizada no Parque Bauru. “Recebo aqui, diariamente, Brasília, Fusca, Del Rey, Voyage, Fiat e outros veículos; a maioria com mais de 25 anos de fabricação”, conta.

Donese explica que a mecânica desses veículos é muito mais simples do que a de veículos lançados mais recentemente. “O problema é encontrar as peças para reposição. As utilizadas nos Fuscas, Kombis e Brasílias muitas ainda são fabricadas, mas o restante, como peças para uma Variant, por exemplo, a gente só encontra no mercado paralelo e em desmanches por preços às vezes salgados”, explica.

O presidente do Sindicato dos Corretores de Seguro (Sincor), Fernando Antônio Kauffman Alvarez, explica que falta de peças ou mesmo de troca do veículos em caso de roubo ou acidente com perda total é o grande problema das empresas de seguro quando os contratos envolvem proteção para proprietários de veículos com mais de dez ou, no máximo, 15 anos de uso.

“Além de ser difícil encontrar seguradoras que ofereçam cobertura total para veículos que já saíram de linha, as que oferecem têm um preço bem salgado. O seguro de um Fusca, por exemplo, sai praticamente pelo valor do próprio carro e aí a decisão é do proprietário”, conta Alvarez.