09 de julho de 2026
Internacional

Russos rejeitam planos de cessar-fogo

Por Folhapress | Com Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Moscou - Apesar de intensa movimentação diplomática, o cessar-fogo no Cáucaso continua improvável, porque as propostas em elaboração ou já elaboradas -União Européia, G7 (grupo de países mais industrializados), ONU e Otan (aliança militar ocidental) - esbarram na negativa da Rússia.

O fim do conflito, desencadeado entre russos e georgianos na sexta-feira pelo controle da região separatista da Ossétia do Sul, depende das verdadeiras intenções de Moscou, que ainda não estão claras.

Autoridades e porta-vozes russos afirmam que não aceitarão a interrupção dos combates porque a Geórgia, aliada dos americanos, continua a bombardear posições ossetianas, o que o governo georgiano nega.

Há indícios de que o Kremlin quer levar sua contra-ofensiva militar às últimas conseqüências, com o enfraquecimento do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. A acusação de que os russos queriam depor Saakashvili foi feita ontem pelo embaixador americano no Conselho de Segurança e rejeitada como “invencionice” pelo embaixador russo.

Na prática, Moscou rejeitou ontem duas propostas de cessar-fogo, a encaminhada pelos europeus e a feita pelo G7. Além do cessar-fogo, a UE propunha a “integridade” do território da Geórgia e o retorno dos contingentes às posições que ocupavam na quinta-feira. A “integridade’’ é um termo ambíguo. A Geórgia teoricamente possui a Ossétia do Sul e a Abkházia, que foram em 1992 objeto de acordos de autonomia, em razão das ligações culturais e econômicas de suas populações com a Rússia. Sob os acordos, a Rússia mantinha forças de paz nas duas regiões, na prática transformando-as em “protetorados’’ seus.

Os chefes das diplomacias européias devem se reunir hoje, prosseguindo consultas sobre um plano alternativo, aceitável pela Rússia. O “Financial Times”, diz que a Itália e a Alemanha não querem um confronto com o Kremlin.

A proposta do G7 é parecida e está centrada no cessar-fogo. Ela foi articulada pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que pela manhã de ontem telefonou ao primeiro escalão dos governos do grupo (Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Japão e Canadá). Rice deixou claro que apoiava a iniciativa da UE.

Rússia e Otan

Quanto à Otan, ela fará hoje em Bruxelas uma reunião de emergência solicitada pela Rússia, que não é membro da aliança militar, mas possui o estatuto de associada, apta a opinar durante crises.

Antes do encontro, embaixadores e o secretário-geral da aliança, o holandês Jaap de Hoop Scheffer, reúnem-se com a chefe da diplomacia da Geórgia, Eka Tkeshelashvili.

Há por fim o Conselho de Segurança, deveria realizar, a pedido da Geórgia, nova reunião ontem à noite. Rússia e Estados Unidos, como membros permanentes, têm poder de veto.

George W.Bush

O presidente dos EUA pressionou ontem a Rússia a suspender a ação militar, alertando que uma “dramática e brutal escalada” nessa ofensiva poderia ameaçar as relações de Moscou com o Ocidente.

Recém-chegado da Olimpíada de Pequim, Bush citou relatos de que as tropas russas não estariam se limitando a proteger a Ossétia do Sul.

Cidade estratégica

Gori, a 30 km da fronteira sul georgiana e a 76 km da capital, cidade natal de Josef Stálin (1879-1953), virou ponto vital na guerra entre Rússia e Geórgia. Plantada na única rodovia a ligar o leste do país ao oeste, na costa do mar Negro, Gori tem posição estratégica: tomá-la permitiria a Moscou cortar comunicações do adversário entre sua capital, Tbilisi, e sua única saída marítima.