09 de julho de 2026
Política

Candidatos sonham escolas diferentes

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

A série de apresentação das propostas de governo dos candidatos a prefeito de Bauru nas eleições 2008 abre com o tema educação. E, neste quesito, todos os seis postulantes ao Palácio das Cerejeiras não deixaram de pontuar compromisso com o aumento de classes, através da construção ou ampliação de novas unidades, e a eliminação do déficit atual de 1.500 vagas. Entretanto, dos seis concorrentes, quatro dos candidatos a prefeito apresentam discussão sobre modelo pedagógico e implementação de políticas que aproximem ou realizem de fato a conexão entre família e escola.

Alguns planos de governo fazem apresentação reduzida para a área que é a base do alicerce da construção de novos cidadãos, outros sequer apontam programas que indiquem rediscussão da qualidade do que é ensino dentro das salas de aula, ou nem ao menos indicam se o atual modelo, pelo menos, é adequado à estrutura de ensino municipal que desejam para o município.

Em termos de abrangência de temáticas, com ponderações para estrutura, plano didático, questões pedagógicas, integração escola-comunidade e sistema de diagnóstico e controle sobre qualidade do ensino e do aprendizado, apenas José Leme (PHS) e Rosa Izzo (PDT) não aprofundaram a discussão.

Nestes tópicos, Rodrigo Agostinho (PMDB), Caio Coube (PSDB), Márcia Camargo (PSOL) e Clodoaldo Gazzetta (PV) apresentam propostas de governo que vão além das necessárias, mas comuns, promessas de construção de novas unidades, estrutura de trabalho e reciclagem dos professores.

Mas, ao se enumerar os principais pontos desta temática nos planos de governo, é possível estabelecer comparativos. A partir de então, é visível que os candidatos projetam escolas diferentes entre si, com citações de preocupações que não estão alcançadas por todos.

Em termos da capacidade de realização, a Educação é a área que mais se aproxima do factível nos planos de governo. Os 25% constitucionais de receita vinculada para o setor garantem os R$ 73,5 milhões previstos para o orçamento municipal de 2008, mas traçam um cenário em que o eleitor pelo menos não precisa ter dúvidas de que, neste campo, é possível fazer boa parte do que cada candidato menciona no plano de governo. A questão, então, é discutir se o que está exposto é o melhor para Bauru.

Algumas diferenças

As propostas do candidato José Leme (PHS) servem de parâmetro para identificar o que está mencionado em todos os outros cinco planos de governo. E não é pela profundidade, mas pelo conteúdo que ataca basicamente o tamanho da rede de ensino e suas necessidades de reforma e construção de unidades.

Mas se Leme não discorre sobre conteúdos pedagógicos, não deixa de lançar pontos que exigem maior debate: ele diz, por exemplo, que vai comprar veículos para transportar alunos da zona rural. A medida é possível, mas isso significa imaginar que o candidato do PHS então pretenderia municipalizar o transporte de alunos, hoje realizado por empresa contratada por licitação.

A exemplo de Leme, Rosa Izzo deixa claro que vai seguir o cronograma de novas escolas, diferencia-se ao afirmar que vai instalar quatro creches de acordo com a demanda e que vai atacar a atualização e reciclagem de professores, além da informatização nas escolas.

Mas o plano carece, de fato, das inúmeras necessidades que compõem a diversidade de um tema que é de domínio do próprio marido, seja pela experiência que Izzo Filho teve na prefeitura, seja pelo fato de que conviveu com a realidade de ensino por muito tempo, na rede estadual, como professor da Escola Estela Machado, na Vila Falcão.

Ao contrário destes, Gazzetta, Rodrigo, Caio e Márcia são bem mais abrangentes em suas propostas para o setor. Ainda assim, existem diferenças entre eles no papel. Rodrigo, por exemplo, é o único entre todos os candidatos a defender ação política por uma Universidade Federal em Bauru e também está só na apresentação de criação de área de elaboração de projetos específica para a pasta.

Mas o peemedebista deixa em aberto a criação de escolas experimentais, sem abordar a concepção e qual a razão delas, assim como defende creches noturnas sem amarrar a que tipo de demanda este programa estaria vinculado. Agostinho também é o único a defender equipe de reforço escolar e menciona que implantaria novo plano de carreira. Entretanto, não define se a Educação teria grade própria ou não, como indica o atual governo, por exemplo.

Márcia Camargo faz críticas ao modelo atual, pondera em relação a equívocos do sistema nos últimos governos e aponta para a participação popular dentro das escolas. Ela também pontua, como poucos, preocupação com o ensino especial – como Caio, Gazzetta e Rodrigo, mas indica para uma estrutura de educação que comporta mais o modelo cubano que o brasileiro. A opção é coerente com o que propõe a candidatura socialista em termos de filosofia, mas está distante da aplicação. Entre os exemplos lançados estão até eleição direta para a escolha de diretores nas escolas municipais, em detrimento aos concursos públicos atuais.

Gazzetta, ao lado de Márcia e Rodrigo, não se esqueceu do reclamado Estatuto do Magistério, que está na gaveta da prefeitura há anos, promete implanta-lo nos seis primeiros meses de eventual governo e, como o tucano Coube, cita em outro tópico que criaria sistema de avaliação periódico da qualidade pedagógica e do aprendizado. Rodrigo também fala deste assunto e cita, ao contrário dos demais, que instalaria internet grátis na rede.

O candidato do PV não deixou de defender ensino sobre ecologia, batizou um projeto de Salas Verdes e repetiu desejo por melhor remuneração dos professores. Mas, como Caio e Rodrigo, não se definiu por qual modelo em Recursos Humanos.

Caio Coube enfatiza a opção por escolas abertas à comunidade e destaca programas de lazer durante finais de semana, projeto lançado pelo PSDB em unidades estaduais que foi recebido como “boa idéia”, mas não avançou. O tucano é adepto da qualidade medida por indicadores, sistemas de avaliação, mas não fala uma linha sobre estatuto do magistério e não aponta para ações junto ao ensino superior, ainda que por gestão política e não por obrigação e atribuição. Até os ensinos técnicos especializados ou profissionalizantes, bandeira dos tucanos, não estão em seu plano de governo destacados.

Mas Caio aparece sozinho ao defender programa itinerante preventivo, uma espécie de médico de família para atender em creches, assim como se arrisca em prometer programa piloto em período integral com complementações em esportes e línguas. Coube também cita, ao contrário dos demais, que vai garantir número máximo de alunos por sala de aula.

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Márcia

Eleições diretas para funções de direção nas escolas

Reestruturar e democratizar o Conselho Municipal

Garantir participação dos Conselhos da Escola

Realizar Congresso Municipal de Educação

Cobrar responsabilidade das esferas estadual e federal

Analisar plano de cargos de carreiras e vencimentos

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Caio

Apostar em indicadores de avaliação e diagnóstico

Criar programa de férias para as creches

Garantir número máximo de alunos por sala e informatizar

Implantar programa escola aberta com ações de lazer

Reformar e ampliar unidades

Ampliar serviço de educação especial

Realizar programas de dança, música, teatro

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Rodrigo

Lutar por campus de universidade federal em Bauru

Implantar programa com diagnóstico e indicadores de avaliação

Investir contra déficit em creches

Melhorar a merenda escolar e garantir reformas e construções

Implantar estatuto do magistério

Instituir plano de carreira

Instalar programas de música, dança, teatro, pintura

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Rosa

Seguir plano de novas escolas conforme demanda

Construir quatro novas creches municipais

Realizar atualiação dos professores da rede

Investir em reciclagem dos profissionais

Realizar informatização da rede municipal

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Leme

Comprar ônibus novos para transporte rural

Reformas e construção de unidades

Reformar creches e ampliar vagas

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Gazzetta

Integração de políticas

Não à municipalização

Estatuto do magistério

Reformas e construção

Reestruturar a pasta

Projeto salas verdes

Sistema de avaliação

Implantar Centro de Educação e Cidadania

Aperfeiçoar transporte escolar

Criar programa Sala de Recursos para alunos com dificuldades de aprendizagem

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Entenda a série

O JC vai abordar todos os dias, de hoje até a próxima terça-feira, a definição, apresentação e distinção entre sete temas principais do município, cujas ações dependem da intervenção do chefe do Executivo na solução de demandas e problemas.

Os seis candidatos a prefeito vão abordar suas propostas para educação, saúde, infra-estrutura e transporte, assistência social, habitação e saneamento, esportes, cultura e lazer e, por fim, finanças, orçamento e dívidas municipais.

Os conteúdos já foram encaminhados pelos candidatos a prefeito, de acordo com as proposta de plano de governo de cada um. As edições diárias vão traçar correlações, apresentar diferenciações, levantar dúvidas e pontuar distorções em cada um dos temas propostos.

A série Propostas de Governo vai ser publicada até a terça-feira, dia 19 de agosto, quando se inicia a próxima fase de cobertura, dos programas de rádio e TV.