10 de julho de 2026
Esportes

Série C: Lesões complicam caminhada do Noroeste rumo ao acesso

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 5 min

O Noroeste tem enfrentado um adversário a mais em sua trajetória na Série C do Campeonato Brasileiro rumo ao acesso. Além das equipes rivais, o Norusca vem sendo “atacado” por uma seqüência de lesões em jogadores importantes, que tem tirado o sono do técnico Luiz Carlos Martins para escalar o time a cada rodada. O agravante é que o inimigo parece escolher cautelosamente as vítimas, sempre peças importantes dentro do esquema do treinador.

Primeiro, foi o atacante Alessandro Cambalhota, considerado a principal contratação noroestina para a Terceirona, que sofreu fratura no pé esquerdo logo no primeiro jogo do Norusca na competição e ficará afastado no mínimo até o próximo mês. A seguir, foi a vez de Bruno Soares, principal armador e um dos artilheiros do time na competição, sofrer com dores musculares que não permitiram ao meia desenvolver a plenitude de seu futebol e forçaram sua substituição em boa parte dos jogos.

Leandro Fonseca, que chegou para suprir as necessidades de um “homem-gol” no ataque e mostrou qualidade para cumprir a missão, foi o próximo da lista. Depois de estrear com dois gols, marcar mais um em sua segunda partida e dar o passe para um outro, o jogador também sentiu dores na coxa e acabou desfalcando o Norusca em Ituiutaba. No último domingo, Leandro teve de deixar a partida contra o Guarani com apenas seis minutos em campo, levando consigo para os vestiários as principais esperanças de gols da torcida noroestina. Outro que também sofre com contusão e ainda nem estreou pela equipe na Terceirona é o volante Alexandre, que teve lesão na virilha e só recentemente voltou a trabalhar com bola.

Luiz Carlos Martins admite o problema e afirma que trabalha para amenizá-lo, apesar de não contar com a equipe idealizada para ser titular. “O treinador tem de saber administrar. É lógico, como falo para o grupo, que gostaria de contar com todos. Se falar que não está atrapalhando, vou mentir. Mesmo a gente tendo outros jogadores com características diferentes, o Leandro é um jogador importante no meu esquema, o Cambalhota também. Seriam os dois jogadores que, na minha cabeça, seriam os dois atacantes e são dois atacante perigosos. O Wellington (Paraíba) machucou... Quer dizer, é uma seqüência de jogadores se machucando”, lamenta.

Martins comenta que o problema atrapalha todo o planejamento, já que atletas com as mesmas características dos contundidos não existem no grupo. “Não gosto nem de comentar muito, mas essas contusões complicam bastante. O treinador observa a característica do jogador, a estatura, a velocidade, o toque de bola e monta um esquema dentro daquilo que imagina no começo da competição. Aí vem a contusão. Lógico que todos os treinadores têm que estar preparados para isso. Quando você está no início de uma competição longa, você até se prepara para uma contusão em determinado atleta e tem uma peça de reposição com a mesma característica. Às vezes, temos bastante quantidade, mas não temos a característica da maneira que seria o ideal para substituir o atleta (contundido)”, declara.

A solução, muitas vezes, é uma improvisação. É o que vem ocorrendo no time bauruense. “O Gilsinho vem fazendo uma adaptação como segundo atacante, porque é um jogador inteligente”, exemplifica Martins. “Tem outros meninos, caso do Leleco, que está voltando de contusão, do Borebi, que é um bom jogador, mas ainda não conseguiu se firmar no Noroeste. Tem que ter um pouquinho de paciência”, observa.

O treinador enfatiza o trabalho de passar confiança para os jogadores que vêm substituindo os contundidos. Ontem, Martins focou o Guarani, adversário de domingo, em Campinas, “Conversei com o grupo hoje (ontem), como faço todo início de semana, e passei que temos condições de ir lá (em Campinas) e vencer, mesmo com muitos problemas que temos. Mas eles têm que colocar na cabeça que é possível. Eu, graças a Deus, subi 12, 13 equipes, mas só eu e Deus sabemos como, não foi tão fácil como muita gente acredita. Então, é acreditar. Lógico que com estes obstáculos a gente fica preocupado, porque o elenco tem outros jogadores, mas com características diferentes”, lembra.

“Mas, como treinador, tenho que minimizar, passar moral para o grupo. O grupo sabe das condições que tem. Não adianta apavorar. Eles (jogadores) estão bastante unidos e vamos procurar trabalhar esta semana, se cuidar fora de campo já que temos um jogo duríssimo contra o Guarani. Quem tem vontade já tem a metade”, conclui.

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Joice diz que Memorial exige tempo

O diretor de futebol do Noroeste, Joice Queiroz, é cauteloso ao comentar sobre a idéia de se criar um Memorial Noroeste para marcar o centenário do clube bauruense, em 2010. No momento, o Memorial não passa de uma idéia, que está em fase embrionária e surgiu em reunião recente entre a diretoria noroestina, o arquiteto bauruense Jurandyr Bueno Filho e a jornalista Kátia Sampaio, responsável por uma fundação de resgate histórico. O conceito do memorial já teria sido aprovado pelo presidente Damião Garcia.

“Realmente é importante, mas tem que ver de que forma vai ser feito. Por exemplo, no Corinthians tem e é muito bonito, tem muitas fotos de jogadores, filmes... Só que isso tem que ser pensado com tempo, elaborado. Então é meio complicado. Tem que ter tempo para fazer as coisas direito. Que é legal, é”, comenta Queiroz.

O Memorial Noroeste propõe uma viagem pela história do clube bauruense, fundado em 10 de setembro de 1910. A atração teria painéis imortalizando os grandes jogadores que vestiram a camisa noroestina e dispositivos de som e cinema para contar a história do clube.