09 de julho de 2026
Nacional

Bienal do Livro espera 800 mil pessoas

Por Jéssika Torrezan e Vivian Masutti | Folhapress
| Tempo de leitura: 6 min

A Bienal Internacional do Livro chega à sua 20.ª edição batendo recordes. O número de lançamentos do evento, que começa amanhã, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, e vai até o dia 24, pulou de 3 mil em 2006 para 4,1 mil. A área ocupada pelos estandes também é a maior de todas as edições. Serão 20,2 mil metros quadrados.

Reconhecido também internacionalmente, o evento receberá 50 autores estrangeiros. “Temos certeza de que teremos um público recorde”, afirma Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro. Em 2007, foram 811 mil visitantes.

Muitas personalidades também são aguardadas. Um dos espaços mais importantes do evento, o Salão de Idéias abrigará palestras de escritores de diferente gerações, como Zuenir Ventura e Gabriel, O Pensador. As cantoras Fernanda Takai e Zezé Motta debaterão temas atuais, como a importância da cultura japonesa e a intolerância racial.

Chico Anysio é outro que terá seu espaço, com uma sessão de autógrafos do livro “3 Casos de Polícia”, que lançará no evento. “Ali se faz um grande congraçamento de escritores e leitores, e isso é maravilhoso”, diz.

O novelista Walcyr Carrasco e os autores Pedro Bandeira e Ziraldo, conhecidos do público juvenil, também terão obras lançadas. Carrasco ressalta a importância do evento, que, nesta edição, colocará 2,25 milhões de exemplares à venda. “A Bienal é um grande evento literário. Participar dela consolida a vida de um autor”, fala.

O público jovem é uma das apostas deste ano. São esperadas 180 mil pessoas, entre crianças e adolescentes. Para eles, além dos lançamentos infanto-juvenis, a atração é o espaço “Ler É Minha Praia”, onde serão realizadas atividades lúdicas e organizadas visitas monitoradas aos estandes de algumas editoras. “Estou no segundo livro da série, que terá dez. Pretendo ir lançando um por ano”, conta o escritor Ziraldo.

Enquanto ele se prepara para receber filas de fãs querendo autógrafos - ritual que se repete todos os lançamentos de anos quando ele está no evento -, para os fãs de gastronomia, a Bienal também não deixa a desejar. Um dos destaques é o novo livro do chef Alex Atala, que inova ao lançar uma obra sobre culinária que não tem receitas.

“Com Unhas, Dentes & Cuca - Prática Culinária e Papo-Cabeça ao Alcance de Todos”, escrito por Atala em parceria com o sociólogo Carlos Alberto Dória, reflete sobre a tradição culinária e suas novas vertentes. “Foi um encontro natural de duas pessoas que conhecem o mesmo assunto, mas de formas opostas. O Dória é dos livros, eu sou das panelas”, conta Atala.

Mais tradicional é o livro “Diário do Olivier”, com histórias de dez anos de viagens de Olivier Anquier pelo Brasil. A obra traz mais do que receitas que ele descobriu pelo país. É digna de fazer qualquer mortal querer levar a vida do chef boa-pinta. “Uso esse argumento da culinária como pano de fundo para mostrar a essência do povo. O livro carrega o que o Brasil tem para dar”, diz o francês. “Gosto de cozinhar sem intenção de ser professor. Não me agrada aquela cozinha ‘terrorista’”, fala.

Outro adepto do “menos é mais” na cozinha é o inglês Jamie Oliver, que apresenta programas de culinária (exibidos no Brasil pelo canal GNT) e terá “Jamie em Casa - Cozinhe para Ter uma Vida Melhor” lançado.

Para os fãs de leitura, não faltarão opções, o que não quer dizer que os preços serão muito melhores do que nas livrarias. Como na edição anterior, o valor pago pelo ingresso poderá ser convertido em descontos. Cada entrada vem com dez cupons no valor de R$ 1,00 cada um. Alguns expositores darão descontos de até 30%.

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Feira destaca literatura alemã recente

Boa parte da literatura alemã consagrada internacionalmente tem seus escritores oriundos do chamado Grupo 47, associação que reuniu entre o pós-guerra e os anos 70 nomes como os vencedores do Prêmio Nobel Heinrich Böll (1917-1985) e Günter Grass, e ainda Peter Handke e Hans Magnus Enzensberger, entre outros.

Para apresentar um panorama da recente produção literária em língua alemã, a 20.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo reúne seis escritores das gerações posteriores ao Grupo 47 em seu principal palco de eventos, o Salão de Idéias. Um deles, Robert Menasse, tem dois livros editados no Brasil: “Espelho Cego” (Companhia das Letras, 2000) e “A Certeza Sensível” (Estação Liberdade, 1991).

Dois outros já têm lançamentos previstos no país: Julia Franck, que lança na Bienal “A Mulher do Meio-Dia” (Nova Fronteira), saga familiar que deu a ela o Deutscher Buchpreis, o “Booker Prize alemão”. E Ilija Trojanow, cujo “O Colecionador de Mundos”, romance histórico sobre o explorador britânico Richard Burton (1821-1890), sai em 2009 pela Companhia das Letras.

Wolfgang Bader, diretor do Instituto Goethe São Paulo, que convidou os escritores, ressalta que, na literatura em língua alemã, faz-se uma distinção entre a produção ligada à República de Bonn - capital da Alemanha Ocidental, com o país dividido do pós-guerra - e a República de Berlim - o país reunificado, aberto à internacionalização da cultura.

“A essa República corresponde uma transição de geração literária, que tem ainda a Alemanha como tema, mas que também explora mais o mundo”, afirma Bader. “Temos mais autores jovens, que viajam muito, mais mulheres e mais escritores com ascendência não alemã. Os temas de que tratam são de interesse global e refletem a convivência entre diferentes culturas.”

Em paralelo à Bienal, o Goethe abriga a Semana de Literatura Alemã, entre 18 e 22 de agosto. Com entrada franca, os encontros começam sempre às 19h e terão a participação de escritores brasileiros como Milton Hatoum, Bernardo Carvalho e Fernando Bonassi. A programação completa está em www.goethe.de/saopaulo.

Mais Bienal

Segundo Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro, que organiza a Bienal, a presença alemã reforça o caráter internacional desta 20.ª edição, ainda um evento com mais apelo comercial - são 2 milhões de livros à venda - do que literário. A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) permanece o principal palco das letras no País.

Ao todo, são 50 convidados estrangeiros, de 14 países - a Espanha também traz grande número de escritores (nove). São 73 expositores estrangeiros, representando dez países, entre eles a Índia, que, segundo Rosely, vem pela primeira vez à bienal paulista. Outros destaques internacionais são a vencedora do Pulitzer Samantha Power e o escritor mexicano Guillermo Arriaga, roteirista premiado no Festival de Cannes de 2005 por “Três Enterros”.

• Serviço

20.a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, de amanhã a 24 de agosto, das 10h às 22h, no Pavilhão de Exposições do Anhembi (avenida Olavo Fontoura, 1.209, Santana), em São Paulo. Entrada: R$ 10,00; R$ 5,00 estudantes e aposentados; gratuito para crianças até 12 anos, maiores de 65 anos, pessoas com deficiência, professores, autores e profissionais do livro. Ônibus gratuito a partir da Estação Tietê do Metrô. Mais informações: www.bienaldolivrosp.com.br.