Sempre fui contra a greve, pois apesar de ser um direito de qualquer trabalhador, nos traz aborrecimentos, transtornos e prejuízos. A greve sendo um instrumento de direito, geralmente é utilizada quando algo é reivindicado e, tendo esgotado certo tempo, bem como os meios civilizados, os quais poderiam levar a um consenso e a um denominador comum, como o bom senso, o diálogo entre os postulantes e o postulado, chegando a um possível acordo mútuo, entretanto, o patrão demonstrando uma certa obstinação, ao invés de resolver o problema, acaba como sempre fazendo parte e, dessa forma, torna-se insolúvel e impraticável um bom resultado. Nesse prisma, vislumbro que não existe outra alternativa senão enveredar-se os pleiteantes para o caminho da greve. Qualquer reivindicação que seja jamais há necessidade de chegar a esse ponto, se houvesse eco às solicitações. Há pouco tempo, os professores do Estado de São Paulo deflagraram uma greve, a qual, não sei por que, terminou, pois mal havia começado. Se chegaram a iniciar esse movimento, simplesmente estavam descontentes com o parco salário que auferem, sendo os mestres da juventude, a esperança do futuro. Agora é a vez da Polícia Civil do Estado de São Paulo (polícia repressiva e judiciária), consoante o “Art. 144,§ 4º da CF/88 “, instituição esta que, dirigida por Delegados de Polícia de carreira, com Escrivães, Investigadores, Operadores de Telecomunicações, Agentes Policiais, Carcereiros, e Papiloscopistas, etc., desenvolvendo um trabalho incansável na apuração das infrações penais, ofertando segurança e justiça à população. A Policia Civil, através de entidades sindicais e associativas, desde um pretérito não muito recente, encetou por várias vezes negociações com o governo do Estado, porém, lograram infrutíferas suas reivindicações. O Estado de São Paulo, a unidade mais rica e desenvolvida, da Federação, dentre os 26 estados e um Distrito Federal, no montante de 27 unidades, é a último da lista. Enquanto um Delegado de Polícia Federal percebe um salário de R$ 12.000,00, no Distrito Federal, R$ 12.000,00, no Paraná, R$ 9.000,00, no Mato Grosso do Sul, R$ 8.000,00, vindo na seqüência, outros estados, o Estado Paulista, está no final da lista, com um salário de R$ 3.500,00. Na verdade estamos mais ou menos com 12 anos ou mais, sem um reajuste digno e, diante do aumento do custo de vida, durante esse tempo todo, o poder aquisitivo caiu muito, ficando difícil sobreviver condignamente. Demonstrado está, a grande inflexibilidade do Estado/Patrão, recusando em atender as reivindicações promovidas pelas diversas entidades de classe, tendo em vista a ínfima remuneração e, no afã de um salário, digno e condizente ao patamar de outros estados, não tão ricos e desenvolvidos como o nosso, porém, os governos reconheceram e valorizaram a polícia de seu Estado. Dessa forma, como está patente na mídia atual, não restando outra maneira de persuasão, senão a greve, único instrumento constitucional, visando a meta, sob a égide da Lei nº 7.783/89, a “Lei de Greve”. Segundo a SINDPESP., estas são as seguintes reivindicações "reajuste salarial, valorização das carreiras e reestruturação, fim dos adicionais e incorporação dos atuais, transformação dos vencimentos em subsídios, conforme prevê a Constituição Federal, tudo extensivo aos aposentados e pensionistas". Uma vez deflagrada a greve, o término da mesma, ficará a critério do Estado/Patrão, porém, a sociedade não deixará de ser amparada nos serviços ou atividades essenciais, sendo garantido os trabalhos necessários ao atendimento daquele que procurar o Plantão Policial, nos casos de ocorrências urgentes e indispensáveis à população, consoante a norma específica. A Policia Civil atua na esfera judiciária, encetando diligências e investigações, visando juntar provas ao bojo dos autos (inquéritos policiais), instrumento este em que são oferecidos os elementos que servem à formação da "opinio delicti", e deverão compor o fato típico. Tem por escopo a apuração da infração penal e sua autoria para que o Ministério Público, titular da ação penal, tenha elementos para propô-la. Apesar de estarmos recebendo sustentação e inclusive, aplausos sobre o movimento, solicitamos o completo e total apoio, encarecidamente, não somente da população paulista, mas também, dos demais órgãos e instituições públicas e particulares, para que possamos pugnar por uma política mais racional e irrestrita de segurança social, a mantença da ordem e do direito, e diante de todo o exposto, a começar na forma basilar, propiciando à sociedade, a almejada rapidez na Justiça Social.
O autor, Antonio Edison Francelin, é delegado de polícia, atuou nos Distritos Policiais da Capital paulista, 26.ª Ciretran, órgão de Trânsito Estadual, Distritos Policiais e Delegacia Seccional de São Carlos-SP - pós-graduado em direito penal (especialista) - ministra aulas em cursos preparatórios para concursos públicos e consultoria de trânsito. Integra o grupo de pesquisa em direito e educação da UFSCar - e-mail francelin@ig.com.br