Em dias normais, o plantão da Polícia Civil de Bauru registra cerca de 40 ocorrências das 7h às 19h. Ontem, no entanto, até as 18h, apenas quatro haviam sido feitas, conforme o JC apurou. Os números representam queda de 90% no movimento. Ainda assim, problemas não foram identificados em Bauru durante a paralisação, conforme reitera o delegado seccional Doniseti José Pinezi.
De acordo com ele, caso houvesse qualquer problema no plantão, haveria remanejamento de pessoal, respeitando a exigência estabelecida em 30% de escala mínima. Deixaram de ser registrados boletins de ocorrência de perda e extravio de documentos, acidentes de trânsito com vítima leve, colisões para fins de seguro e outros não criminal.
Por outro lado, foram registrados duas apreensões de objetos, um procurado capturado e o furto de R$ 43 mil de uma lotérica. Neste caso, foi solicitada perícia no veículo furtado que teria sido utilizado no crime, já que havia sido concluída a reunião no TRT. A paralisação provocou dificuldades, por exemplo, à mãe da garota de 14 anos que teria fugido com o padrasto, anteontem. Ela não teria conseguido comunicar oficialmente o ocorrido ao Conselho Tutelar em virtude da greve.
Hoje, no entanto, com ou sem paralisação, deve ser ouvida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Dependendo de seu depoimento e da gravidade do caso, diligências seriam iniciadas. Além dessa dificuldade, nenhuma outra chegou ao conhecimento da reportagem. Quando o JC esteve no plantão, não havia populares à espera de atendimento.
“Eles têm apoiado a paralisação. Querem uma polícia melhor para atender melhor a população. Os policiais estão esclarecendo e orientado sobre os motivos da greve. Também explicamos a eles quais alternativas podem adotar para resolver o problema deles o mais rápido possível”, conclui o delegado Carlos Creppe Júnior, responsável pelo plantão durante o dia de ontem.
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80% do efetivo
O Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo obteve liminar determinando aos policiais civis do Estado que mantivessem no mínimo 80% do efetivo sem interrupção de qualquer tipo de atividade durante a paralisação. A medida, no entanto, nem chegou a ser adotada em Bauru. Entre as razões estão o dissídio e o fato das entidades de classe não terem sido oficialmente comunicadas.
“Essa proporção não há de ser falada porque todos os policiais estavam fazendo panfletagem nos postos de trabalho. Seriam 80% se não fossem ao local de trabalho”, comenta Márcio Cunha, delegado regional do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp). De acordo com ele, apenas os serviços essenciais como flagrantes ou ocorrências de homicídios e outros casos graves foram mantidos em grande parte do Estado.
Mas a ação da procuradora regional do Trabalho Laura Martins Maia de Andrade requereu ainda ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT-2) a instauração de instância para encaminhamento de negociação coletiva. A iniciativa resultou na audiência de instrução e conciliação realizada ontem, que resultou na suspensão da paralisação.