Rio - Confundido com um policial, um promotor de Justiça de Nova Friburgo (cidade na região serrana do Estado do Rio) foi seqüestrado e torturado durante horas por traficantes de um morro de Niterói (região metropolitana). Ele só foi libertado após convencer os criminosos de que não era da polícia. Em nota, o Ministério Público Estadual classificou o episódio como “seqüestro relâmpago”, sem relação com o trabalho que o promotor desenvolve na Vara da Infância, Juventude e Idoso em Nova Friburgo. O caso aconteceu no último dia 5 e foi revelado ontem pelo jornal “Extra”.
O promotor (por questão de segurança, a Folhapress não divulga seu nome) foi abordado pelos criminosos no bairro de Icaraí, área nobre da cidade. Ele acabara de deixar o pai em um bar e estava estacionando o carro quando foi atacado por um grupo. Segundo a 77.ª DP (Delegacia de Polícia), o objetivo dos criminosos era roubar o carro.
Segundo relato do promotor à polícia, ao ser rendido, os assaltantes perceberam que ele portava uma pistola -promotores são autorizados a carregar armas. Os assaltantes concluíram então que o promotor era da polícia e decidiram levá-lo para o morro Souza Soares, no bairro vizinho de Santa Rosa (zona sul de Niterói), segundo o comandante do Comando de Policiamento de Áreas Especiais da Polícia Militar (CPAE) da área, tenente-coronel Rosano Augusto.
O promotor contou na delegacia que, no morro, foi levado aos chefes do tráfico, Ali, foi agredido e torturado até conseguir convencer os criminosos de que não era policial.
A polícia não informou quanto tempo o promotor ficou em poder dos traficantes. Segundo o Ministério Público, o seqüestro durou “algumas horas” e os criminosos roubaram a arma e objetos pessoais. Após ser liberado, muito machucado, o promotor desceu a favela, acompanhado de um dos criminosos. Em seguida, registrou o caso na delegacia.