11 de julho de 2026
Nacional

Beira-Mar é condenado a seis anos de prisão por associação ao tráfico

Por Da Redação | Com Folhapress e AE
| Tempo de leitura: 4 min

Rio - Risos, brigas, broncas e toques de celular marcaram o julgamento do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, na tarde de ontem no 4.º Tribunal do Júri do Rio. Ele foi julgado por um processo do ano 2000 sobre um tiroteio entre policiais e traficantes. Beira-Mar foi condenado ontem à tarde a seis anos de prisão em regime fechado por associação ao tráfico.

No processo de ontem, o traficante é acusado pelo Ministério Público do Rio de ter ligação com um grupo que atirou contra policiais durante uma perseguição em Duque de Caxias (Baixada Fluminense) em 1996. Para a Promotoria, o bando tentava evitar a prisão de Charles Silva Batista, o Charles do Lixão, líder do tráfico de drogas na favela do Lixão, também em Caxias.

Descontraído, Beira-Mar riu bastante e interagiu com amigos e parentes que assistiam à sessão no plenário do 4.º Tribunal do Júri do Rio, no centro da cidade. Durante toda a sessão, que durou pouco mais de quatro horas, o plenário ficou lotado. Os celulares, que deveriam estar desligados, tocaram ao menos quatro vezes, o que irritou a juíza Maria Angélica Guerra Guedes, que julgava o caso.

Meia hora após o início da sessão, um celular com o toque do hino do Flamengo tocou, interrompendo a fala do promotor de Justiça Luciano Lessa dos Santos. A juíza chamou a atenção do proprietário do aparelho, que desculpou-se. Três minutos depois, um outro celular tocou, e a juíza levantou-se e interrompeu o promotor, ameaçando apreender o próximo aparelho que tocasse. “Vocês não estão na casa do pai nem da mãe de vocês, estão na casa da Justiça. Isso é um desrespeito. Se tocar de novo, vou mandar esses policiais (federais, que acompanhavam Beira-Mar) apreenderem”, disse. O próximo celular a tocar, contudo, foi justamente o de um dos policiais, que saiu apressado da sala, sob o olhar da juíza, que nada falou.

Por várias vezes durante a sessão Beira-Mar riu e gesticulou para conhecidos que assistiam ao julgamento. Fez um gesto circular em volta da barriga apontando para dois amigos. “Ele disse que a gente engordou”, contou um deles, que não quis se identificar.

Em duas ocasiões, o traficante pediu para se retirar do julgamento. Na segunda delas, em que ficou fora por mais de 40 minutos, foi almoçar, segundo os policiais federais que o acompanhavam.

O promotor Luciano Lessa dos Santos e o advogado de Beira-Mar, Francisco Santana, protagonizaram discussões que arrancaram risos no plenário, inclusive da juíza e do traficante julgado. Durante a fala do advogado, que tentava convencer o júri que as provas do processo eram levianas, o promotor interrompeu, contestando a tese de Santana. Após uma discussão, o advogado disse que Santos “não sabe o que quer” e virou de costas. Com ironia, Santos disse: “magoei”, e saiu da sala, sob gargalhadas do plenário. Um homem que assistia a sessão disse, em voz alta, que a situação não era engraçada, e a juíza Maria Angélica, irritada com a interrupção, exigiu que ele fosse retirado do plenário. “O riso te incomoda?”, indagou a juíza.

Beira-Mar deixou o prédio do Tribunal de Justiça do Rio, no centro, logo após o julgamento, acompanhado de cerca de 20 policiais federais.

“Currículo”

Beira-Mar já tem pelo menos outras três condenações. Em 2006, foi condenado a pela 1.ª Vara Criminal de Bangu a 19 anos de prisão por crimes de extorsão e associação para o tráfico. Ele também foi condenado a 21 anos de reclusão pelo crime de tráfico, em Cabo Frio, e a 12 anos por um processo em Belo Horizonte.

O Tribunal de Justiça do Rio não soube informar, oficialmente, quantas condenações Beira-Mar já teve no Estado e a soma de suas penas. Ele está detido no presídio federal de segurança máxima, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

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Sem algemas

Rio - No início da audiência, a juíza aceitou o pedido do advogado de Beira-Mar, Francisco Santanna, para que seu cliente não usasse algemas. Antes do início do julgamento, Santanna afirmou que iria fazer o pedido à juíza, alegando que o traficante tem os mesmos direitos do ex-banqueiro Salvatore Cacciola. “A única diferença é que ele nasceu em berço de ouro, mora em mansão e é rico. Fernandinho Beira-Mar é negro, nasceu na favela e mora na cadeia. Mas o direito é o mesmo”.

Fernandinho Beira-Mar chegou algemado ao Tribunal de Justiça, no Centro do Rio, por volta das 7h da manhã. Cerca de 15 policiais federais fizeram a segurança no andar do edifício onde ocorre o julgamento. Ele chegou anteontem ao Rio de Janeiro, vindo do Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul e ficou na sede da Polícia Federal, no Centro do Rio.