Washington - Em mais uma advertência à Rússia, o presidente dos EUA, George W. Bush, afirmou ontem que o país não pode exigir o direito sobre as duas regiões separatistas - Ossétia do Sul e da Abkházia - da vizinha Geórgia, aliada dos EUA, e que não há espaço para o debate sobre o assunto.
“A Rússia deve entender, a partir de agora, que a Ossétia do Sul e a Abkházia estão dentro das fronteiras da Geórgia. Não há discussão sobre isso”, disse Bush em seu rancho em Crawford, no Texas, após reunião com o Conselho de Segurança sobre a crise no Cáucaso.
O Ministério russo das Relações Exteriores disse na quinta-feira que a Geórgia pode “esquecer” a retomada das duas regiões separatistas. O presidente russo, Dmitri Medvedev, também encontrou os líderes das duas regiões no Kremlin na semana passada, elevando as possibilidades de Moscou absorver as regiões, apesar de o território ser internacionalmente reconhecido como parte das fronteiras georgianas.
A Geórgia é membro das Nações Unidas e, assim sendo, suas fronteiras devem ser respeitadas internacionalmente. Além disso, o Conselho de Segurança da ONU aprovou várias resoluções baseadas na premissa de que a Ossétia do Sul e a Abkházia continuem na Geórgia.
“A própria Rússia endossou essas resoluções”, disse Bush. “A comunidade internacional sabe que a Ossétia do Sul e Abkházia são partes da Geórgia e os EUA reconhecem integralmente esta realidade’’.
Passo promissor
Bush também disse que a adesão do presidente russo ao acordo de cessar-fogo era importante. “Agora, a Rússia precisa honrar o acordo e retirar suas forças e, claro, acabar com as operações militares na Geórgia”, disse Bush.
Em declarações à imprensa junto com a secretária de Estado, Condoleezza Rice, Bush pediu à Rússia que cumpra sua palavra e se retire do território georgiano. Horas antes do anúncio de hoje, o subchefe do Estado-Maior do Exército russo, Anatoli Nogovitsin, afirmou que as tropas de paz russas “nunca” abandonarão as regiões separatistas georgianas da Ossétia e da Abkházia. Os russos querem mais segurança para a retiradas das tropas.
O governante americano disse ainda que Rice partirá esta semana para Bruxelas em uma nova tentativa diplomática para conseguir a “libertação da Geórgia’’.
Em Bruxelas, Rice se reunirá com os ministros de Relações Exteriores da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e com representantes de países da União Européia.
Da reunião do Conselho de Segurança Nacional dos EUA também participou o secretário da Defesa, Robert Gates, que deu informações da missão humanitária que o Exército enviou para a Geórgia. “Os mantimentos estão sendo distribuídos entre o povo georgiano, e chegarão mais”, disse.