10 de julho de 2026
Regional

Hospital de Barra Bonita luta para superar dívida

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Barra Bonita - Uma dívida com “idade” de oito anos está atormentando a administração da Maternidade São José em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru). A entidade não tem dinheiro para pagar o 13o salário dos 166 funcionários no final deste ano. A liberação de empréstimos pelo governo estadual é a esperança que o hospital têm para resolver os problemas financeiros.

O presidente do Conselho Administrativo do hospital, Maurício José Batista está otimista com a possibilidade de conseguir o empréstimo. “O empréstimo é com juros zero. A Caixa Econômica Federal empresta e quem paga os juros é o governo estadual. Nós pagamos o valor em 36 vezes sem juros. Essa linha de crédito teve que ser incrementada, porque muitas entidades passam pelo mesmo tipo de problema e não conseguiram o recurso.”

Batista ressalta que a maternidade não foi contemplada com o empréstimo em sua primeira fase. “O governo havia liberado R$ 100 milhões para entidades do Interior. Na nossa região, Macatuba, Jaú, Botucatu e Pederneiras foram contemplados. Como muitos hospitais ficaram de fora, eles liberaram mais R$ 50 milhões e nós enviamos o nosso projeto para a Diretoria Regional de Saúde (DIR) e esperamos receber.”

Para Batista, o empréstimo vai sanar 70% dos problemas financeiros da maternidade. “O empréstimo que tem que ser de no máximo 30% do faturamento da entidade. Com esse dinheiro vamos resolver 70% dos nossos problemas.”

Ele enfatiza que a entidade precisa de R$ 120 mil para pagar o 13º salário dos 166 funcionários.

Outras alternativas estão sendo estudadas e colocadas em prática pela administração da maternidade. “Estamos com o telemarketing a todo vapor, estamos desenvolvendo festas e contamos com a colaboração de empresários da cidade e região. Em anos anteriores, a Cosan e outras empresas colaboraram.”

A falta de recursos para pagamento dos salários foi descartada pelo administrador. “O pagamento está programado. Foi orçado no ano passado, está garantido.”

A dívida que se arrasta por oito longos anos, passou de gestão para gestão e não foi saldada por falta de recursos financeiros. Ela foi gerada pela construção e compra de equipamentos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ressalta o atual administrador.

Segundo ele, a UTI só gera gastos porque não está cadastrada na secretaria e cadastrá-la poderia gerar ainda mais custos. “É uma faca de dois gumes. Se cadastro tenho que atender a região toda. Sem cadastro, o custo entra como se fosse atendimento do Pronto Socorro”, explica.

São 180 atendimentos/dia no pronto-socorro que gera um custo mensal de R$ 263 mil. Nesse valor está incluso os gastos com a UTI. “Isso aumenta as despesas do PS”.

Do outro lado do rio

Um convênio firmado com a prefeitura de Igaraçu do Tietê (71 quilômetros de Bauru) coopera para que a maternidade tenha despesas extras. “Temos um convênio para atender pacientes em situação de urgência e emergência no Pronto Socorro que termina no final do ano. Dos 180 pacientes/dia atendidos no PS 38% são de pacientes de Igaraçu do Tietê.”

Porém, parte da fatura que caberia a Igaraçu fica para a maternidade de Barra Bonita. “O cálculo do valor a ser pago pela prefeitura de Igaraçu foi feito de forma errônea. Se 38% são pacientes deles, teríamos que ter um repasse correspondente, mas o repasse feito por eles é de R$ 12,5 mil mensais. Deveria ser de R$ 99,94 já que os gastos somam R$ 263 mil/mês.”