Problema de saúde pública em quase todos os países do mundo, a obesidade têm motivado investimentos pesados da indústria farmacêutica em pesquisa e fabricação de medicamentos que combatam este mal. A vontade crescente que as pessoas têm de emagrecer também tem impulsionado este processo. O rimonabanto, também conhecido como pílula ‘antibarriga’, é um dos últimos fármacos lançados do Brasil para combater a obesidade e seus problemas. Além deste medicamento, muitos outros estão sendo estudados e testados para atender o objetivo de reduzir o peso das pessoas, como o GW1516 e o AICAR, atualmente em pesquisas nos Estados Unidos.
Tal contexto, reforça a endocrinologista Cibele Cabogrosso, se dá em decorrência da obesidade favorecer o surgimento de muitas outras doenças. “Diabetes, hipertensão, aumento do triglicerídeo, colesterol, doenças coronarianas e ortopédicas podem fazer parte do quadro clínico de quem está muito acima do peso. Além de causar transtorno para os obesos, ocasionam aposentadoria precoce, ou seja, tiram do mercado pessoas que poderiam estar produzindo. Suprir tudo isso é o que a indústria farmacêutica está tentando fazer”, comenta.
Criar remédios que tirem a origem da obesidade, a sua genética, é o objetivo de muitos laboratórios. Por isso, diz Cabogrosso, os novos medicamentos tentam melhorar não só o peso, mas também a pré-disposição a doenças relacionadas à obesidade. “Eles não agem só na estética”, afirma.
Paralelo a isso, o mercado tem buscado medicamentos que ajam no organismo das pessoas independente de adoção de dietas e prática de exercícios. O rimonabanto, por exemplo, está no mercado brasileiro desde abril deste ano e já tem adeptos. No Exterior, ele é comercializado há mais de um ano. O sucesso se deve à sua proposta: diminuir a gordura intra-abdominal, ou seja, aquela que fica próxima a órgãos como intestino e fígado, não a que fica logo abaixo da pele.
A endocrinologista Nancy Bueno informa que a principal ação do rimonabanto é inibir o sistema endocarbinóide, que tem, entre outras funções, a de ativar no sistema nervoso central a fome, o aumento da circunferência abdominal, da glicemia. “Na verdade, trata-se da síndrome plurimetabólica, onde a obesidade é a base e as doenças decorrentes vêm em seguida”, explica. “Então, o medicamento inibe este sistema que está ativado nas pessoas”, define a médica, para quem é sempre positivo conciliar os medicamentos com exercícios físicos e alimentação saudável.
Mas nem todas as pessoas podem fazer uso da pílula antibarriga, alerta Cibele Cabogrosso. Antes, é necessário fazer uma avaliação completa para definir quem pode fazer uso do medicamento. Bueno concorda. Para ela, o rimonabanto deve ser muito bem indicado e ser utilizado sob acompanhamento médico, avaliação precisa do estado de saúde do paciente, bem como seu histórico, afinal, como todo remédio, possui contra-indicações e efeitos colaterais, que devem ser considerados.
A pílula antibarriga não é indicada para pessoas com histórico de depressão ou problemas psiquiátricos. Irritabilidade, náuseas e tendência à depressão estão entre seus efeitos colaterais. Mas é claro que, quando bem indicado, ele traz resultados positivos, conquistados a longo prazo, alertam as médicas. “Leva cerca de um ano para os resultados aparecerem”, diz Cabogrosso. “Em três meses já podem ocorrer melhoras”, completa. Bueno diz que a expressão “devagar e sempre” define o tratamento.
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Alimentação e exercícios físicos
“Não adianta a pessoa tomar pílulas e não seguir uma dieta saudável.” A afirmação é do nutrólogo Hilton Coimbra Borgo. Segundo o especialista, cujo papel é avaliar o paciente e ver a indicação do medicamento e a orientação alimentar necessária a seguir, há muitos estudos sendo feitos mas, atualmente, não há medicamentos no mercado que dispensem cuidados com a reeducação alimentar. “Esta solução ainda não apareceu”, afirma.
Para ele, o tratamento medicamentoso é algo que pode vir a ajudar, mas não é o principal em se tratamento de perda de peso. “Nós lutamos para que as pessoas não tenham os remédios como a arma salvadora. Alimentação correta e exercícios físicos são uma questão de saúde e qualidade de vida”, defende.
Para Borgo, a obesidade é uma pandemia que assola a humanidade. Mas, da mesma maneira que existem pessoas que buscam medicamentos, há pessoas que buscam outras alternativas para emagrecer.
O nutrólogo informa que uma destas alternativas é a mudança no comportamento alimentar, que dá trabalho. Isto porque, segundo ele, na sociedade atual, o apelo para comer é muito grande e é sempre difícil “remar contra a maré”, exigindo muita força de vontade. “O hábito de comer é automático. Por isso, a solução é ter propostas que desautomatizem o ‘comer’”, acredita.
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Remédios dos sonhos
A resistência à prática de exercícios físicos faz com que muitas pessoas sonhem com pílulas que garantam emagrecer sem praticar atividade físicas. Isso ainda não é possível, mas pode vir a ser caso alguns medicamentos em estudo sejam aprovados.
Um deles foi recentemente anunciado por cientistas americanos. Cientistas do Instituto Médico Howard Hughes e do Instituto Salk de Estudos Biológicos comunicaram estar mais perto de lançar uma pílula que melhora o desempenho físico das pessoas, mesmo que ela não mexa um músculo para isso. Tratam-se de substâncias que aumentam a resistência muscular, aumentam o vigor físico e permitem emagrecer - o que seria a realização do sonho de muita gente.
O assunto está em artigo recém-publicado na revista científica “Cell”. Nele são apresentados os novos medicamentos GW1516 e AICAR, cujas substâncias desencadeiam muitos dos efeitos fisiológicos habitualmente associados à prática de exercícios físicos e possibilitam o emagrecimento.
Os medicamentos já foram testados em ratos e apresentaram resultados positivos. Eles estão particularmente indicados no tratamento de pacientes que sofrem transtornos metabólicos, como atrofia muscular ou outras pessoas incapacitadas que não podem realizar exercícios. Os transtornos metabólicos estão, muitas vezes, associados à obesidade.
O JC entrou em contato com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em busca de informações sobre os ‘novos’ fármacos. No entanto, o órgão informou ainda não ter informações a respeito. “Eles ainda estão testes nos Estados Unidos e, por isso, não têm registro na Anvisa e, possivelmente, em nenhum país ainda”, informa Daniele Carcute Soares, da assessoria de comunicação da Anvisa. “Também não podemos prever quando ele chegará ao país, pois isso depende do interesse de algum laboratório em pedir o registro dos medicamentos”, completa.