A entrada do Vale do Igapó “consagrou-se” como rota alternativa para condutores de caminhões com carga em excesso. Para fugir da balança de pesagem de veículos instalada no quilômetro 224 da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Jaú), eles percorrem trecho de terra, famoso pela quantidade de atolamentos. Ao superar o barro, desembocam no acesso ao loteamento.
Mas se o desvio de aproximadamente três quilômetros os livram de multas, resultam em prejuízos à diretoria do Vale do Igapó, responsável pela administração da área. É dela a responsabilidade em manter a pavimentação da entrada do loteamento, que tem pouco mais de um quilômetro de extensão. Para dar fim ao problema de mais de cinco anos, o membro da diretoria do Vale, Rubens Previdello, diz já ter tentado todas as alternativas possíveis.
“Não tem o que fazer. É igual a fugir de pedágio. Não tem como autuar porque está andando em via permitida”, comenta o subcomandante do 2.º Batalhão de Polícia Militar Rodoviária, major Benedito Roberto Meira.
A serventia do trecho em questão, no entanto, seria de aceiro, acrescenta Previdello. Trafegam pela estrada de terra os veículos em desacordo com a lei que seguem sentido Bauru-Jaú. Na semana passada, pelo menos um ficou atolado. Quem desconhece o subterfúgio paga até R$ 50,00 a chapas que disponibilizam a rota aos interessados. Eles prestam o mesmo serviço no sentido contrário da rodovia, onde o desvio parece bem maior e corta propriedades privadas.
Do outro lado
Naquela direção, no final da tarde, também é possível observar veículos parados no acostamento. Embora oficialmente aleguem problemas mecânicos, é de conhecimento geral que aguardam o final do expediente dos funcionários da Centrovias, responsáveis pela pesagem.
Eles fazem o trabalho com um fiscal do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Ao que a reportagem apurou com ele, cujo nome será preservado, quando questionados se precisam de auxílio, respondem que os reparos serão feitos com recursos próprios. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, trafegar com excesso de peso resulta em multa média (atualmente em R$ 85,13) e perda de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
O valor da multa, no entanto, é acrescido conforme o excesso e pode chegar a R$ 1 mil. Por conta da situação, tem quem prefira furar o bloqueio. Nesse caso, incorre em multa grave (R$ 127,69) e perde cinco pontos na CNH. Há, ainda, quem escamoteie a placa utilizando papelão, pano ou até um arame para baixá-la e subi-la. “Passam direto e os fiscais não conseguem enxergar porque não tem radar, (trabalham) no visual. Há vários esquemas e a Polícia Militar está atenta”, garante Meira.
De acordo com ele, quem impede ou dificulta a visualização da placa está sujeito à multa gravíssima (R$ 191,54) e perde sete pontos na CNH.