08 de julho de 2026
Internacional

Medvedev: retirada começa hoje

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Gori - Ao menos três países - EUA, Alemanha e França - pressionaram ontem a Rússia a retirar suas tropas da Geórgia. Ao mesmo tempo, o presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciou que começará a retirada hoje. Apesar do anúncio, não há informações sobre quanto tempo essa retirada vai levar.

Em comunicado divulgado pelo Kremlin, Medvedev anunciou que o começo da retirada das tropas acontecerá hoje, mas não fez menção sobre deixar a Ossétia do Sul, região separatista que está no centro do conflito entre a Rússia e a Geórgia. Ele disse apenas que as tropas voltariam para Ossétia do Sul de suas posições na Geórgia.

Os confrontos tiveram início quando a Geórgia, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, região separatista que declarou independência no começo dos anos 90. Moscou reagiu à ofensiva porque apóia o pequeno território e mantêm forças de paz na região.

Moradores da Ossétia do Sul comem em um campo de refugiados na Ossétia do Norte.

Desde a assinatura do acordo de cessar-fogo pela Rússia - que havia sido feita anteriormente pela Geórgia -, a pressão ocidental para a retirada de tropas russa tem aumentado. Os EUA e a França já haviam acusado a Rússia de descumprir a trégua, pelo fato de tanques e soldados russos continuarem a rodar livremente pela Geórgia.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, alertou ontem que a Rússia enfrentaria “sérias conseqüências” se não começasse a retirada e falou mais cedo com Medvedev pelo telefone.

O presidente francês, afirmou o comunicado emitido pelo Palácio do Eliseu, “advertiu o presidente Medvedev para as graves conseqüências que a não execução rápida e completa do acordo teria para as relações da Rússia com a União Européia (UE)”.

EUA

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, acusou novamente ontem o presidente russo de descumprir a promessa de retirada rápida das tropas da Geórgia, estabelecida pelo acordo de cessar-fogo assinado pelos dois países. “Espero que, desta vez, ele cumpra a palavra’’, disse Rice após Medvedev anunciar que a retirada começaria amanhã.

Presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, não reconhece tropas de paz russas.

Anteontem, em mais uma advertência à Rússia, o presidente dos EUA, George W. Bush, afirmou que o país não pode exigir o direito sobre as duas regiões separatistas - Ossétia do Sul e da Abkházia - da vizinha Geórgia, aliada dos EUA, e que não há espaço para o debate sobre o assunto.

Alemanha

A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu ontem à Rússia a retirada de suas tropas da Geórgia “em questão de dias’’ e mostrou a disposição de seu país em participar de uma força multinacional de paz na zona de conflito.

Merkel fez as afirmações em Tbilisi em entrevista coletiva conjunta com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, que voltou a acusar a Rússia de fazer uma “limpeza étnica’’ na região.

“O presidente russo, Dmitri Medvedev, me prometeu que retiraria as tropas após assinar o plano europeu. Isto deve ocorrer nos próximos dias’’, afirmou. Merkel acrescentou que “todo o mundo está esperando a retirada das tropas russas’’, assunto do qual os ministros de Relações Exteriores da União Européia (UE) tratarão amanhã.

Além disso, ela disse que a guerra na região separatista da Ossétia do Sul não implicará em nenhuma mudança na decisão tomada pela Otan, em abril passado. “As portas da Otan estão abertas para a Geórgia’’, afirmou, acrescentando que a política de vizinhança da UE com a Geórgia será “mais ativa’’ a partir de agora.

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Tropas de paz

Gori - Por sua parte, o residente georgiano, Mikhail Saakashvili, voltou a acusar a Rússia de “limpeza étnica’’ e exigiu a imediata retirada das tropas “ocupantes” do país vizinho. “A Geórgia nunca cederá nem um metro quadrado de seu território. Nunca aceitaremos a anexação, o separatismo e a violação do sistema democrático’’, afirmou.

Saakashvili insistiu na necessidade de criar uma força multinacional de paz como um aspecto-chave para a solução do conflito. “Não há tropas de paz russas, são soldados. A Rússia não pode ser mediadora. Não há parte sul-osseta, já que ali são todos representantes russos. Os separatistas são financiados pela Rússia’’, apontou.