10 de julho de 2026
Política

Candidatos apostam em 45 dias de TV

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A propaganda eleitoral gratuita invade as manhãs, tardes e noites de segunda a sábado, a partir de hoje, no rádio e na televisão. Com a proibição de showsmícios e distribuição de brindes para se aproximar do eleitor, os candidatos a prefeito e às 16 cadeiras do Legislativo apostam no conteúdo dos programas, sobretudo na televisão, para atrair os bauruenses para a discussão dos problemas da cidade.

Os programas dos candidatos a prefeito vão ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras. Ás terças, quintas e sábados é a vez dos concorrentes à Câmara. As veiculações na TV são das 13 horas às 13h30 e das 20h30 às 21 horas. No rádio as programações diárias acontecem das 7 horas às 7h30 e das 12h às 12h30. A veiculação começa hoje e vai até a antevéspera da eleição no primeiro turno, no dia 2 de outubro.

Entretanto, o desafio que se renova nesta campanha eleitoral aos produtores e coordenadores dos conteúdos de mídia é o de superar a restrição do público em relação aos programas. No caso das apresentações dos candidatos a vereador, que estréiam nas ondas do rádio e na telinha hoje, o desafio é ainda maior, em razão do excesso de concorrentes e da pequena disponibilidade para apresentação de conteúdo.

Dependendo da coligação, o candidato não terá mais de 20 segundos para realizar sua mensagem. Além da presença de mais de 225 postulantes á eleição proporcional, as produções dos programas de televisão enfrentam o desafio de adequar a linguagem e o tempo à pouca familiaridade com o vídeo da maioria dos candidatos.

Para o coordenador dos programas da aliança Frente Trabalhista por uma Bauru melhor de se viver, Marcos Cafeo, a ausência de campanha maciça nas ruas, com o fim de showsmício, vai tornar a televisão o principal produto da campanha. “Diferentemente dos outros anos, sem showmício e eventos de campanha, a atenção vai estar voltada para o conteúdo de mídia. A curiosidade estará na TV e no rádio. Pelo número de vereadores na disputa, as falas serão rápidas, mas é preciso caprichar na produção para buscar atrair e conquistar votos”, comentou o representante da TN3 Produções, que vai veicular a campanha de Rosa Izzo (PDT).

Roupagem na TV

Em relação à eleição majoritária, Cafeo acredita na roupagem de programas atrativos, mas que chamem para a discussão de propostas. ”Vamos pautar a candidata a prefeito pela discussão das propostas. Quem tiver mais bala para discutir os problemas da cidade vai conseguir ficar mais próximo do eleitor. Nosso mote será o de traçar uma candidatura que defende administrar a cidade de portas abertas à população. Vamos explorar a conexão entre o perfil popular da candidata com o eleitorado”, apresentou Cafeo.

Um dos integrantes do grupo que assessora a equipe de Caio Coube (PSDB), Marcelo Graziani, considera que a movimentação de rua vai levar o candidato para dentro da casa das pessoas através das imagens. “À medida que o eleitorado for acompanhando pela TV a presença do candidato na rua, ele vai se aproximando mais do candidato e este da campanha, ajudando a ampliar a consciência em torno da discussão das soluções dos problemas de nossa cidade. Quem reunir maior conteúdo de informações, com qualidade e seriedade, vai ter maior chance de conquistar o eleitor”, opinou.

O advogado Amauri Roma, estudioso das regras eleitorais, avalia que a campanha de rua pode ser elemento de atração. “Não há proibição para a colheita de campanha na rua, com imagens. E esse elemento é importante para aquele que está em casa ir sendo convidado a discutir a eleição, que é onde se define o futuro da cidade. A imagem de rua é permitida. O que não pode é fazer trucagem, edição de imagens ou de conteúdo de maneira a modificar a realidade ou produzir conteúdo falso. A lei também é bastante rígida a agressões e ofensas”, complementou.

Amauri Roma lembra que a tramitação processual contra conteúdos de campanha de rádio e televisão é bastante rápida, o que visa garantir a efetiva punição a eventual dano ou reparação de ofensas através de direito de resposta.

Nos casos de conteúdo em relação a programas de rádio e televisão, as representações formuladas pelas alianças, ou em conjunto com o candidato majoritário, deverão ser encaminhadas ao Cartório da 387ª Zona Eleitoral.