Fiquei abestalhada, pasma mesmo, com uma recente notícia que o JC publicou: caiu consideravelmente o número de eleitores jovens em Bauru - aqueles que não são obrigados a votar, mas podem, se quiserem -, em relação à última eleição municipal. Uma cidade como Bauru, com tantas universidades, deveria ter uma consciência política mais crítica.
Alguém pode dizer que universitário vem de fora, que esses jovens cujo voto é facultativo são do ensino médio. E daí? Numa cidade com tantas universidades, subentende-se que as discussões são mais críticas, seja lá em que série o jovem esteja.
Tenho uma filha no ensino médio. Só tem 15 anos. Ainda não pode tirar título de eleitor. Mas fui conversar com ela sobre o assunto, saber se pretende ir ao Cartório Eleitoral no ano que vem quando completar os 16. Para minha alegria, disse que sim. Mas logo em seguida, o balde de água fria. Minha sobrinha, de 17, perguntou: "Por que? É só perda de tempo. Eu só vou votar quando for obrigada". Doeu fundo. Mas entendi a falta de interesse do jovem. Tentei argumentar, não teve jeito, desisti. Só quem tem adolescente em casa sabe como é complicado tentar convencê-lo de alguma coisa...
Mas se algum deles tiver lendo essa carta, lanço um ponto que, espero, fique "martelando". Não é preciso gostar de política para entender que ela move o mundo, move a bolsa, move a economia, garante o crescimento ou a decorrada, a guerra ou a paz. E só o eleitor, através do voto consciente, tem o poder de mudá-la. Então, não vale votar só quando é obrigado. Melhor ir viajar e justificar.
Voto precisa ser honesto, precisa ser consciente, precisa ser cuidadoso. O jovem que não fez o título porque ainda não é obrigado a votar muitas vezes esquece que um bom emprego, uma boa escola, áreas de lazer, saúde dependem de dinheiro bem aplicado por gente que ganhou poder para isso justamente através do voto. E se ninguém se interessar em votar em gente boa, vai nos restar só o ruim. Daí, sofro eu, sofre minha minha, sofre você, sua mãe, seu pai, seu avô...
Maria da Graça Gomes - eleitora