08 de julho de 2026
Internacional

Musharraf renuncia à presidência

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Islamabad - O ditador Pervez Musharraf anunciou ontem sua renúncia à Presidência do Paquistão para evitar um processo de impeachment. De acordo com a Constituição, agora, o presidente do Senado, Mohammedmian Soomro, irá assumir o cargo interinamente por 30 dias, que é o prazo máximo para a escolha de um novo presidente.

O novo presidente será escolhido por um colégio eleitoral formado por integrantes de ambas as Casas e das quatro assembléias provinciais.

Tradicionalmente, no Paquistão, o primeiro-ministro reúne mais poderes que o presidente, no entanto, sob a liderança de Musharraf, o cenário mudou, e ele deteve poderes para desfazer o Parlamento e tomar decisões nos setores militar e judiciário. Os opositores de Musharraf já anunciaram que pretendem devolver à Presidência seu caráter meramente cerimonial.

Musharraf anunciou sua renúncia em pronunciamento na TV um dia depois de o governo de coalizão contrário a ele dizer que o texto acusatório que pediria a cassação seria entregue à liderança para aprovação. Com suas acusações de violação da Constituição e má gestão da economia, os opositores pretendiam iniciar um processo de impeachment - e Musharraf não tinha maioria para evitar a cassação.

“Infelizmente, alguns elementos com interesses ocultos levantaram falsas acusações contra mim”, afirmou Musharraf no pronunciamento. “Deixo meu futuro nas mãos do povo.”

“Minha filosofia tem sido: primeiro o Paquistão”, disse, antes de acrescentar que sempre trabalhou “de boa fé pelo bem do país”.

O governo de coalizão é formado pelos dois grupos que saíram vitoriosos das eleições de fevereiro passado - o PPP (Partido Popular do Paquistão), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, morta em dezembro de 2007; e a PML-N (Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz), liderada pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.

EUA

Poucas horas depois do anúncio da renúncia de Musharraf, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, emitiu um comunicado em que elogia o compromisso de Musharraf na luta contra o terrorismo e anunciou que o país continuará colaborando com o Paquistão.

Os EUA têm grande influência no Paquistão porque injetam milhões de dólares na economia desde que Musharraf se juntou à “guerra contra o terror”, lançada após os atentados do dia 11 de setembro de 2001.

“Continuaremos trabalhando com o governo paquistanês e com seus líderes políticos e pedimos que redobrem seus esforços para se dedicar ao futuro do Paquistão e suas necessidades mais urgentes, entre elas deter o crescimento do extremismo.’’

Crise

Musharraf assumiu a Presidência do Paquistão com o golpe de Estado pacífico, em 1999. No ano passado, o ex-comandante do Exército foi reeleito democraticamente, sob acusações de fraude. Na seqüência, declarou estado de emergência e demitiu o Ministro da Justiça e quase 60 juízes para evitar que sua reeleição fosse considerada inválida.

Em novembro de 2007, Musharraf abandonou a chefia das Forças Armadas e, como civil, iniciou seu segundo mandato presidencial com duração de cinco anos.

No mês seguinte, a crise política atingiu um pico com o atentado que matou a líder opositora Benazir Bhutto, que liderava as pesquisas à eleição parlamentar. Nas eleições, ocorridas em fevereiro passado, a oposição saiu vitoriosa. Na semana passada, o governo de coalizão, que é contrário a Musharraf, anunciou ter reunido denúncias suficientes para iniciar um processo de impeachment contra ele.

Musharraf enfrentou muitas especulações antes de renunciar.