Nações Unidas - O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jaap de Hoop Scheffer, afirmou ontem que a Rússia não está cumprindo o acordo de cessar-fogo com a Geórgia e exigiu a imediata retirada das tropas russas do país vizinho.
Os ministros das Relações Exteriores dos 26 países-membro da Otan se reuniram ontem em Bruxelas para reafirmar seu apoio à Geórgia frente à Rússia, apesar de isso poder alterar suas relações com Moscou.
Em um comunicado emitido após a reunião, a aliança afirma considerar “seriamente as implicações das ações russas em sua relação com a Otan”. Os países-membro alertaram Moscou que, depois do que aconteceu, “as coisas não podem continuar como até agora’’.
Os ministros deixaram claro ainda que a solução para o conflito na Geórgia deve se basear no “respeito absoluto à independência, soberania e integridade territorial” deste país.
Russos rebatem
A retirada das forças russas depende do regresso das tropas georgianas a seus quartéis e deve levar “três ou quatro dias’, afirmou em Moscou o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, que também criticou a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) dizendo que a aliança é parcial. O chanceler russo acusou ainda a Otan de favorecer um “rearmamento’ da Geórgia.
Russos prendem georgianos
Soldados russos prenderam ontem 20 militares georgianos em um porto da Geórgia no mar Negro. Os presos foram vendados, e carros do Exército georgiano também foram apreendidos.
A prisão ocorreu enquanto uma pequena coluna de tanques e blindados russos deixava a estratégica cidade de Gori, no primeiro sinal de uma retirada russa da Geórgia após o acordo de cessar-fogo.
Ontem, os dois países também trocaram prisioneiros. No entanto, soldados russos também prenderam os georgianos em Poti - principal porto do país por onde o petróleo é escoado- e apreenderam os carros, usados em exercícios militares realizados pela Geórgia e EUA.
A prisão foi o último exemplo da audácia militar russa, deixando os georgianos em dúvida se a Rússia planejou uma ocupação militar mais longa ou se está apenas castigando mais a Geórgia antes de cumprir a retirada prevista pelo cessar-fogo.