Embora os policiais civis não tenham entrado em acordo com o governo do Estado na reunião realizada ontem no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP), a greve da categoria continua suspensa. Poderá ser retomada em 4 de setembro, quando o dissídio chegará ao fim. Até lá, as entidades de classe organizarão passeatas em repúdio à postura do governo do Estado.
Em Bauru, a primeira manifestação está marcada para sábado, com saída às 9h da Praça Dom Pedro II, em frente ao plantão policial. Os manifestantes seguirão até a Praça Rui Barbosa, de onde retornarão. “Atos como esse serão realizados em outras seccionais. Vamos manter o estado de greve e a operação padrão continua nos moldes em que está”, explica Márcio Cunha, delegado regional do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp).
De acordo com ele, como a categoria está insatisfeita com a situação, a expectativa é que mais de 100 pessoas de Bauru e região participem da passeata. “Os colegas estão achando que estamos nos curvando ao governo estadual. Não. Nós estamos seguindo orientação da Justiça do Trabalho, que falou que nosso movimento é legal. Por isso que está intermediando. Vários colegas estão querendo partir para a greve mesmo na ilegalidade”, comenta.
Na última quarta-feira, a paralisação foi deflagrada em todo o Estado de São Paulo. Segundo Cunha, a adesão em Bauru foi de 100%. A greve, no entanto, foi suspensa porque as negociações passaram a ser conduzidas pela Justiça do Trabalho. Os policiais querem reajuste salarial na faixa dos 60%, percentual considerado irreal pela Secretaria de Gestão Pública.
“Se o governo do Estado tivesse uma política séria de segurança pública, já vinha cobrindo e não tinha deixado chegar neste nível”, afirma Cunha. Já a pasta defende que precisa, antes de propor um reajuste, reestruturar a carreira policial.
Com mediação do assessor econômico do TRT, Pedro Jorge de Oliveira, ficou decidido que o governo terá até o dia 29 para apresentar à Justiça uma proposta de reajuste, a ser discutida com a categoria.
Já no dia 4, os trabalhadores se reunirão para decidir se retomam a greve. Caso não haja acordo com o governo do Estado, caberá à Justiça do Trabalho decidir o índice. As entidades de classe reclamam que nos últimos anos a categoria teve gratificações no lugar de reajustes, o que exclui aposentados e pensionistas.
Segundo o presidente da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo (Adpesp), Sérgio Roque, de 2003 a 2007 foi concedida alta de 18% à categoria. “De 1997 a 2000 e em 2003, 2006 e 2007 não tivemos qualquer reajuste”, afirma. A Secretaria de Gestão rebate dizendo que, de 1998 a 2008, houve variação positiva de 117% na folha de pagamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP). E que, nos últimos 15 anos, o menor salário de policial teve aumento real de 57,79%.
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Reajuste
A proposta apresentada ontem pelas entidades de classe será estudada pelo governo do Estado. No entanto, o reajuste de 60% requerido pela categoria é considerado irreal pelo titular da Secretaria de Gestão Pública, Sidney Beraldo.
“Infelizmente, as reivindicações continuam irreais. As categorias não só mantiveram as que são inconstitucionais, entre elas a eleição para delegado-geral de polícia, como ainda o percentual de reajuste pretendido subiu de 58% para 60%. Com isso, o impacto ultrapassa a marca dos R$ 8 bilhões, mais que dobrando a atual folha de pagamento da Secretaria de Segurança Pública”, diz, em nota enviada pela assessoria de imprensa da secretaria.
Quanto aos salários, o secretário afirma que, dos cerca de 3.500 delegados ativos da polícia paulista, apenas 15 recebem efetivamente o valor que vem sendo divulgado como o mais baixo do País (R$ 3.708,18),
“E mesmo estes 15 terão reajuste pelo projeto de lei preparado pelo governo que incorpora a atual 5ª classe à 4ª classe da carreira policial. Apesar de tudo isso, o governo segue na intenção de dialogar com as categorias e buscar um entendimento que contemple a valorização da polícia, dentro das possibilidades orçamentárias do Estado”, conclui.