09 de julho de 2026
Articulistas

Petrobras, saúde e educação... já


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Quando anuncia com pompa que parte do lucro da exploração dos campos de petróleo recém-descobertos será aplicada na educação, o orgulhoso presidente Lula fala como se isso fosse um grande feito do governo em favor do povo. Mas não é. Há mais de 50 anos, os brasileiros pagam um dos mais elevados preços do mundo pela gasolina e outros combustíveis, ficam desapontados ao saber que a Petrobras exporta os produtos a preços muito inferiores aos aqui praticados e, ainda, são obrigados a agüentar a propaganda oficial sobre autonomia petrolífera e outros temas correlatos que em nada melhora a vida de cada um.

Enquanto milhões passam fome, vivem do sub-emprego e não desfrutam de educação e saúde pública adequadas, toda a população carreia compulsoriamente altas somas para os cofres da companhia petrolífera estatal e do governo, através de altos preços, impostos e taxas cobrados no setor. Para o cidadão comum, não há nenhuma diferença entre a companhia estatal e as grandes empresas petrolíferas internacionais. Tanto a Petrobrás quanto as “sete irmãs” - como é chamado o conjunto das grandes corporações do setor - praticam altas tarifas e isso traz dificuldades à população, traduzidas não só no encher do tanque do veículo, mas também no preço dos transportes e das mercadorias, que têm de ser levadas do produtor e da indústria ao consumidor.

Já passou da hora da Petrobras - que desde o seu fundador, Getúlio Vargas, os governos dizem ser “nossa” - começar a cumprir o seu dever de fazer algo que reflita na melhora da qualidade de vida do cidadão brasileiro que, em última análise, é o seu único dono. O dono da companhia estatal é o povo e a ele deve ser prestado seu serviço e direcionados seus lucros.

Em vez de fazer festa para dizer que o lucro dos novos campos petrolíferos – que só começarão a render só dentro de alguns anos – serão aplicados na educação, o presidente da República e sua equipe poderiam fazer algo mais concreto e dentro do seu próprio período de governo. Talvez reduzir os tributos cobrados na venda de combustíveis, diminuir o lucro da Petrobrás e oferecer mais facilidades para quem vai encher o tanque. Subsidiar o abastecimento de combustíveis e lubrificantes para a frota de táxis e transporte coletivo. Ou, ainda, investir já o elevado lucro da produção e comercialização de combustíveis na saúde, educação e assistência social.

A população está cansada de ver e ouvir a propaganda ufanista sobre a Petrobras e seus feitos, ao mesmo tempo em que paga preços astronômicos para obter o combustível produzido por essa empresa, que insistem em dizer ser sua. O dono de um bem tem todo direito de dele desfrutar. Assim, nós brasileiros, queremos poder usufruir desde já pelo menos uma lasquinha da grande petrolífera que o dinheiro nosso, de nossos pais, avós e até bisavós ajudou a construir...

O autor, Dirceu Cardoso Gonçalves, é tenente e diretor da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo - Aspomil - e-mail: aspomilpm@terra.com.br