08 de julho de 2026
Regional

Aumentam acidentes com locomotivas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Nos últimos 15 dias, na região de Bauru, foram registrados três acidentes e um incêndio na malha ferroviária da região de Bauru. Embora em nenhum deles tenha sido registrado vítima grave, a incidência com que eles acontecem evidencia que há insegurança na malha ferroviária. Para o Sindicato dos Ferroviários de Bauru, falta manutenção na via permanente, há excesso de peso e a monocondução do veículo impede que o maquinista evite os acidentes.

Só nessa semana, segundo o sindicato, foram registrados dois acidentes em Marília e um incêndio em vagões em Botucatu.

“Foram feitos alguns investimentos na superfície da via permanente, mas o trabalho principal, que chamamos de infra-estrutura, ficou sem fazer”, alerta Roque Ferreira, coordenador licenciado do Sindicato dos Ferroviários de Bauru.

De acordo com Ferreira, as antigas locomotivas foram substituídas por uma americana chamada C-30, que pesa duas vezes mais. “Isso faz com que aumente o comboio ferroviário, número de vagões, que a locomotiva puxa, e conseqüentemente, o excesso de peso sobre a malha permanente. Os trens muito longos e o aumento do peso sobre a via permanente que não sofreu manutenção agrava a situação.”

A monocondução das locomotivas é outro item que coopera com a incidência de acidentes, avalia o sindicalista. “A Justiça suspendeu a liminar que coibia a monocondução das locomotivas. A partir de então, os maquinistas estão conduzindo sozinhos os comboios. Isso faz com que ele não consiga ter a atenção necessária para perceber qualquer obstáculo visualmente.”

Ferreira frisa que o maquinista sofre para dividir a atenção. “Foram implantados equipamentos tecnológicos nas locomotivas, como GPS, computador de bordo, que tomam tempo e atenção dos maquinistas.”

A volta do auxiliar de maquinista nas locomotivas, segundo o sindicalista, está sendo pedida na Justiça. “O procurador do Ministério Público do Trabalho Luiz Henrique Rafael recorreu. Entrou com mandado de segurança para trazer de volta a medida liminar que obrigava as empresas a manterem o segundo homem na equipe.”

Monocondução

A América Latina Logística (ALL), por intermédio de sua assessoria de imprensa, informa que adotou a monocondução na Malha Norte após respaldo legal. A empresa alega que o juiz da 4ª Vara do Trabalho de Bauru determinou que um perito verificasse todas as condições de segurança e trabalho para a aprovação desse tipo de transporte no trecho da Ferrobam.

Até hoje, toda a condução de trem era realizada pelo maquinista e ajudante, com apoio do Centro de Controle Operacional (CCO). Com a instalação dos computadores de bordo, o maquinista que opera a composição conta com vários equipamentos de ponta, como o GPS, e tem o respaldo do CCO, que monitora tudo o que acontece. Entre outras coisas, do Centro de Controle também é possível parar uma composição caso seja necessário.

Com isso, torna-se desnecessário continuar operando com um maquinista e um ajudante. Lembrando que grande parte dos colaboradores que atuam atualmente como auxiliar de condução será treinada na sede da ALL em Curitiba para se tornarem maquinistas.

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Malha comprometida

A ALL assumiu o controle da Brasil Ferrovias (Ferroban, Ferronorte e Novoeste) em maio de 2006. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, a malha férrea foi encontrada em péssimas condições e com baixa manutenção. A partir daí, a empresa teria adotado uma série de ações para diminuir a ocorrência de acidentes e aumentar a produtividade da operação ferroviária.

O primeiro passo foi fazer uma manutenção de emergência, com a limpeza da faixa de domínio e a troca de dormentes, trilhos e fixações inutilizáveis. De novembro de 2007 a março deste ano, houve reforma completa na malha ferroviária entre Bauru e Botucatu, que receberá as locomotivas modelo C30, com maior capacidade de tração.

A segunda fase da manutenção da malha férrea entre Bauru e Três Lagoas (MS) já foi iniciada e a previsão é que seja concluída em março de 2009. Projeto VCP, trecho Rubião Junior a Três Lagoas terão custo de R$ 30 milhões (out/07- dez/09); Bauru a Três Lagoas, R$ 24 milhões (jun/08 - dez/09).

Entre as medidas adotadas, consta ainda a criação de um Comitê de Segurança formado por especialistas para atuar sobre as causas dos acidentes e evitar ao máximo novas ocorrências.

Região de Bauru

No trecho da Unidade de Produção Bauru, que engloba a linha férrea de Jupiá a Iperó mais o ramal de Bauru a Tupã e de Itirapina a Bauru, no ano passado, foram trocados 45 mil dormentes e 5 mil metros de trilhos, além da colocação de 6 mil metros cúbicos de pedra britada, o nivelamento mecanizado de 120 mil km e a capina química de 1,4 mil km. Na reforma da sede foram investidos R$ 1 milhão, segundo informações da empresa.

Com todos os investimentos, a empresa diz ter conseguido reduzir o índice de acidentes registrados em sua malha. Em maio de 2006, quando a ALL assumiu o controle do trecho da Brasil Ferrovias (ferrovias Ferroban, Ferronorte e Novoeste), eram registradas 170 ocorrências para cada milhão de quilômetro percorrido pelo trem. O índice em dezembro de 2007, informa, ficou em 31 ocorrências para cada milhão de quilômetro percorrido pelo trem.

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Acidentes

Jaú - ônibus com 20 trabalhadores rurais colidiu com uma locomotiva no distrito de Potunduva

Marília - na semana passada, um carro no Centro da cidade bateu em uma composição. Nesta semana, uma composição descarrilou no Centro

Botucatu - Anteontem, dois vagões incendiaram no pátio da ferrovia