08 de julho de 2026
Internacional

Brasileiro morto na queda de avião estava em lua-de-mel

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Madri - O brasileiro Ronaldo Gomes Silva, 25 anos, que está entre as vítimas do acidente ocorrido ontem no aeroporto de Barajas, em Madri (Espanha), que deixou 153 mortos e 19 feridos, havia se casado no dia 3 de julho em São Paulo com a espanhola Yanina Celisdibowsky e estava indo para as Ilhas Canárias em lua-de-mel. As informações foram dadas pela irmã de Ronaldo, Rosana Gomes Silva.

Rosana disse ainda que o brasileiro era mais um dos muitos jovens que vão tentar a vida na Europa. “A nossa família é de classe baixa. Ele sempre teve o sonho de ir para o Exterior ganhar a vida. Meu outro irmão já tinha ido para Londres e levou o Ronaldo, em 2004”, explicou Rosana.

Em Londres, segundo ela, Ronaldo estava em situação ilegal. “Ele ficou trabalhando lá, em vários empregos, office-boy... O que aparecia ele fazia”, afirmou Rosana.

Na capital inglesa, ele conheceu a espanhola Yanina. “O Ronaldo começou a namorar com a moça espanhola e queria se casar. Ele tinha o sonho de se casar e ter filhos”, disse a irmã.

“O Ronaldo sempre foi uma pessoa muito carinhosa, muito amorosa com a família. Gostava muito de crianças. Ajudava os parentes sempre que possível”, comentou, emocionada.

Em julho, o casal veio ao Brasil para realizar o casamento. “Eles se casaram em um cartório de São Paulo e ficaram esperando a documentação sair. Casando-se com a espanhola, ele poderia ficar legalmente na Europa”, disse Rosana.

Ronaldo e Yanina iam se casar no religioso na Espanha, com a presença da família da noiva. Antes, resolveram viajar para as Ilhas Canárias para a lua-de-mel.

Agora, Rosana espera que o corpo do irmão volte à cidade em que a família vive, Ourilândia do Norte, no Pará, para o enterro.

Identificação dos corpos

Médicos legistas haviam identificado até o final da tarde de ontem, segundo a imprensa espanhola, 41 vítimas do acidente aéreo. Para identificar o restante das vítimas, autoridades espanholas tentarão o reconhecimento por meio de impressões digitais ou exames de DNA.

No entanto, a identificação de todos os corpos levará ao menos dois ou três dias, segundo confirmou a ministra do Desenvolvimento, Magdanela Álvarez. “A circunstância em que estão torna muito difícil a identificação”, afirmou.

Dos 112 corpos restantes, 80 terão de ser identificados por exames de DNA, enquanto as outras 32 vítimas deverão ser reconhecidas por impressões digitais. Para agilizar a identificação das vítimas, trabalham 40 pessoas. Quinze dos corpos já identificados foram entregues a seus familiares.

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Mãe salvou filha antes de morrer

Madri - Amalia Filloy agonizava nos restos calcinados do vôo JK 5022 da Spanair, mas encontrou as últimas forças para esticar a filha Maria, de 11 anos, na direção do bombeiro Francisco Martínez, um dos primeiros a chegar ao local.

Amalia morreu em seguida, Maria está viva e em condições tão favoráveis quanto possível nas circunstâncias no Hospital La Paz de Madri. O pai, José Alonso, também sobreviveu e está no La Paz, mas uma segunda filha, de 14 anos, morreu com a mãe. No total, 22 crianças viajavam no JK 5022.

A história foi contada por Francisco Martínez às portas do hospital. Ele foi até lá hoje porque queria dizer a Maria como sua mãe lhe salvara a vida. Mas não o deixaram entrar (só podem ingressar no hospital os familiares das vítimas).

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Superaquecimento atrasou decolagem

Madri - Um problema de superaquecimento em uma válvula de entrada de ar foi o motivo do atraso de quase duas horas na decolagem do avião modelo MD-82 da companhia Spanair que, em seguida, pegaria fogo e cairia, matando 153 pessoas ontem no aeroporto de Barajas, em Madri

Em entrevista coletiva, o subdiretor da Spanair, Javier Mendoza, informou que o avião acidentado apresentou o superaquecimento na primeira decolagem, por volta das 13h (horário local), e, por isso, retornou a Barajas. De acordo com Mendoza, o problema “foi tratado e isolado” pelos funcionários da empresa, que deram aval para que ele voasse.

Todo o procedimento durou quase duas horas, uma vez que a segunda decolagem só ocorreria às 14h45, horário em que ocorreu o acidente.

Segundo Mendoza, a equipe de manutenção da empresa agiu de acordo com os manuais do avião. Conforme a empresa, todo o problema foi explicado a inspetores da Aviação Civil, que não encontraram nenhuma “anormalidade’’.

De acordo com a sede da Spanair em Palma de Malorca, a tripulação não havia trabalhado excessivamente. “Excesso de horas não havia de maneira nenhuma. Havia, sim, o excesso de trabalho que há no verão, mas totalmente dentro do normal’’, disse o presidente Jordi Mauri à imprensa.