Em 3 de novembro de 2006, o adolescente Igor Rodrigo Bruno de Souza, de 14 anos, morreu afogado em um poço de um afluente do córrego da Grama, na altura do Jardim Rosa Branca, em Bauru. Na última segunda-feira, Jefferson Melo do Nascimento, 15 anos, morador da Vila Industrial, morreu afogado no poço. Sem saber nadar, ele foi refrescar-se nas águas do poço juntamente com amigos, mas não conseguiu atravessar até a outra margem e afundou onde a profundidade é de cerca de quatro metros.
Ontem, familiares dos dois adolescentes foram ao local das tragédias para protestar, de forma silenciosa, contra o descaso do proprietário do local, que de acordo com eles, seria a América Latina Logística (ALL), empresa que administra ferrovias da região. “Nós entramos na Justiça contra eles (ALL) e estamos esperando o resultado. Chegaram a culpar a mim e ao meu filho pela morte dele”, disse a mãe de Igor, Cláudia Renata Bruno.
A assessoria de imprensa da ALL informou que o poço fica fora da área de domínio da empresa. Portanto, não seria a responsável por qualquer medida de segurança. A Prefeitura informou que orientou o proprietário do terreno a aterrar o poço, mas não divulgou o seu nome.
A mãe de Igor voltou ao local acompanhada do irmão Rogério e de amigos do adolescente, que estaria com 16 anos. No poço, eles depositaram flores e abriram cartazes pedindo providências para o fechamento do local, já que, segundo informações, várias crianças nadam no local todos os dias, algumas até acompanhadas pelas mães. “Uma semana depois que aconteceu com o Igor, nós voltamos aqui e fotografamos as mães com crianças”, afirmou Cláudia.
O pai e o tio do adolescente Jefferson, Samuel dos Santos e Antônio Januário do Nascimento, também foram ao poço participar do protesto. De acordo com eles, era a segunda vez que o garoto ia nadar no local. “Ele morava com a mãe, por isso não sei dar mais informações”, disse Nascimento.