O Bauruzinho, o mais novo símbolo da cidade, tomará um banho com solvente. A medida de necessária para remover as inscrições deixadas por pichadores, que não pouparam o obelisco inaugurado no Parque Vitória Régia, há 23 dias, no aniversário do município. A limpeza será realizada pela Secretaria Municipal de Cultura, que ontem verificava qual produto é adequado para executar o trabalho. A preocupação é com a manutenção da tinta original.
“Como a estrutura é de fibra de vidro, dá para fazer, mas a partir de segunda-feira. É uma pena que isso tenha acontecido”, comenta o titular da pasta, José Augusto Vinagre. Também lamenta a situação o empresário Jad Zogheib, idealizador do Projeto Bauruzinho.
“A gente procura fazer o bem, trazer uma alegria para a cidade, trazer um lugar para as pessoas fotografarem, comemorarem. É um monumento para a identidade do município e pessoas com pensamento de destruição e maldade passam a cometer esse delito”, queixa-se. Tão indignado ou mais está o também idealizador do projeto, o empresário Fernando Mantovani.
“Quando picha o muro de uma casa, só o proprietário fica chateado. Quando é público, a ofensa é contra todos, a cidade inteira. Daqui a pouco vão pichar a nossa bandeira. Tem que ter uma solução. Tem que ser iniciada uma discussão sobre isso. Nós, do projeto Bauruzinho, fizemos contato com a polícia. A idéia é descobrir quem foi. O pai dele (pichador) tem de ser responsabilizado”, diz.
Bandeira
Segundo Mantovani, o projeto Bauruzinho levará a bandeira do cuidado para com a cidade. Na opinião dele, a situação também demonstrou que o Parque Vitória Régia carece de segurança. “Temos de agir ainda na raiz do problema. Será que esses jovens não têm diversão? Temos de oferecer uma alternativa”, comenta. Mas desde o ano passado, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) desenvolve projetos com o objetivo de reverter o problema das pichações.
No entanto, segundo a titular da pasta, Egli Muniz, no início das atividades, a secretaria enfrentou dificuldades porque a polícia não pôde informar a identidade deles. “Redirecionamos o programa para os Centros de Convivência de Jovens. São 19 grupos em regiões de vulnerabilidade. O objetivo é desenvolver o protagonismo deles. Eles desenvolvem ações de cidadania na sua região, bairro. Tem dado bons resultados”, explica a secretária.
De acordo com ela, a secretaria também trabalha com jovens que receberam da Justiça medida sócioeducativa justamente por terem pichado. “Temos em torno de 20 jovens. Fazemos o acompanhamento da medida”, conclui.
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Indignação
As pichações sofridas pelo Bauruzinho reforçaram a indignação do empresário Rodolpho Francisco dos Santos. A empresa dele também foi vítima do problema, flagrado por uma câmera de videomonitormento.
“Recebo clientes do Brasil inteiro e até mesmo de outros países. No começo de julho pintei a empresa para mudar um pouco o ar. Não deu tempo nem de escrever o nome na parede e já apareceram esses “maloqueiros”. Isso sem falar na minha casa. Na maioria das vezes nunca é feito nada com quem faz esse tipo de invasão. É um absurdo”, desabafa.
Ele diz sentir-se como se fosse roubado.