A saltadora brasileira Maurren Maggi, 32 anos, fez história ontem nos Jogos Olímpicos de Pequim ao se tornar a primeira mulher do País a conquistar uma medalha de ouro individual em Olimpíadas em todos os tempos. A atleta cravou 7,04 metros na primeira tentativa na final do salto em distância e garantiu o primeiro lugar do pódio. Essa foi também a primeira medalha do atletismo feminino do País na história da competição.
A medalha de prata foi para Tatyana Lebedeva, da Rússia, com 7,03 metros, e o bronze ficou com a nigeriana Blessing Okagbare, com 6,91 metros. Maurren, veterana da Olimpíada de Sydney-2000 e que ficou fora de Atenas-2004 devido a uma suspensão por doping, tinha 6,99 metros como seu resultado mais expressivo na temporada - até então terceira melhor marca do ano, atrás dos 7,04 metros da russa Lyudmila Kolchanova e dos 7,12 metros da portuguesa Naide Gomes.
Keila Costa, a outra brasileira na final desta sexta, não conseguiu passar para a segunda fase da decisão, que reuniu as donas dos seis melhores resultados após três rodadas. Ela queimou suas duas primeiras tentativas e obteve 6,43 metros no terceiro salto. A marca a deixou na 11ª posição.
A medalha de Maurren retoma a escrita brasileira de bons resultados em provas de saltos. Dos 14 pódios brasileiros no atletismo olímpico, oito foram obtidos nesse modelo de disputas. O salto em distância, no entanto, nunca havia sido premiado. O último ouro do atletismo nacional havia sido conquistado há 24 anos. Em Los Angeles-1984, Joaquim Cruz venceu os 800 metros.
Apesar do triunfo e de conseguir o seu melhor salto em 2008, a medalhista de ouro ainda ficou longe do melhor salto de sua carreira: 7,26 metros, obtido em Bogotá, na Colômbia, em 1999. Desde então, ela carrega o rótulo de candidata a uma medalha olímpica. Em sua primeira chance (Sydney-2000), sofreu uma contusão na coxa durante nas eliminatórias e não se classificou para a final.
A segunda chance só aconteceu neste ano, já que ela não pôde competir em Atenas-2004. Em 2003, Maurren era a estrela do atletismo nacional. Dona de três das cinco melhores marcas do ano e bronze no Mundial Indoor, ela chegava ao Pan de Santo Domingo como favorita, mas um antidoping positivo para o esteróide anabólico clostebol alterou seus planos. A saltadora alegou que foi contaminada por um creme para cicatrização que foi utilizado durante uma sessão de depilação, mas acabou suspensa por dois anos e chegou a abandonar o esporte.
Maurren só retornou às pistas em 2006. No ano seguinte, ganhou os Jogos Pan-Americanos e voltou a figurar entre os maiores nomes da prova. Já na atual temporada, foi vice-campeã mundial indoor. Na ocasião, foi superada por Naide Gomes, uma das favoritas ao ouro em Pequim, mas que não conseguiu passar pelas eliminatórias e foi apenas a 32ª melhor da fase de classificação, com 6,29 metros. O resultado mais expressivo da etapa de classificação em Pequim foi obtido pela norte-americana Brittney Reese, que alcançou 6,87 metros. Logo na seqüência ficou Maurren (6,79 metros).
Revezamentos na 4ª colocação
Comandado por Usain Bolt, vencedor dos 100 m e dos 200 m rasos, o time da Jamaica venceu a final do revezamento 4 x 100 dos Jogos Olímpicos de Pequim, ontem, com o tempo de 37s10, novo recorde mundial da prova - a marca anterior, 37s40, pertencia aos EUA. A equipe do Brasil não conseguiu lugar no pódio e acabou a prova na quarta colocação. O quarteto formado por Sandro Viana, Vicente Lenilson, José Carlos Moreira e Bruno Lins realizou o percurso em 38s24.
Na disputa feminina do revezamento 4 x 100 m rasos, as brasileiras surpreenderam e encerraram a prova também na quarta posição. O quarteto formado por Rosemar Coelho Neto, Lucimar de Moura, Thaissa Presti e Rosângela Santos obteve 43s14.
Maratona encerra modalidade
Com três competidores, o Brasil participa hoje da maratona, prova masculina que fecha a disputa do atletismo no calendário olímpico. A disputa está prevista para as 20h30. Os brasileiros Marílson dos Santos, Franck Caldeira e José Teles de Souza tentarão igualar o bronze conquistado por Vanderlei Cordeiro de Lima em Atenas-04.
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Atleta será porta-bandeira no encerramento
Maurren Maggi será a porta-bandeira da delegação do País na cerimônia de encerramento de Pequim-2008, amanhã de manhã. O anúncio foi feito pelo Comitê Olímpico Brasileiro após Maurren vencer a final do salto em distância e alcançar o feito histórico, no estádio Ninho do Pássaro.
“É uma forma de homenagear a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro individual nos jogos Olímpicos e também de simbolizar o reconhecimento do COB à performance das nossas atletas em Pequim”, disse o presidente da entidade, Carlos Arthur Nuzman.
Maggi afirmou que, apesar de ter 32 anos, ainda disputará mais uma Olimpíada. “Isto não é o final. Continuarei treinando, pois ainda posso competir. Irei a Londres”, disse a saltadora. O treinador de Maurren, Nélio Moura, concordou com a atleta. “Ela ainda tem mais um ciclo olímpico pela frente. Tem mais um Mundial, tem mais Copa do Mundo. Foram 14 anos de treinos para conseguir uma medalha de ouro”, disse.