Sandra Mara Volpi Martinez Luciano tem 47 anos, mora na Vila Carolina, é casada e tem um filho. Até alguns anos atrás, ela trabalhava fazendo salgados e bolos para festas. Então veio um acidente vascular cerebral (AVC), em 2003, e tudo se acabou. Ou melhor, quase.
“Lembro que eu estava em casa, limpando o azulejo da cozinha, quando tive uma sensação estranha e meu olho esquerdo se escureceu. Fui ao oftalmologista e ele me disse que não era nada de grave. ‘Deve ser nervoso. Vá para a casa e descanse, que isso logo passa’, ele me disse. Ali no consultório, comecei a sentir que estava perdendo os movimentos das mãos. Quando cheguei em casa, fiquei largada no sofá, sem conseguir mexer nada, nem os músculos do rosto”, conta Sandra Mara.
A partir desse dia, a vida dela tem sido um constante reaprendizado. “Tive de aprender novamente a andar, a falar, a me mexer”, diz ela. “Claro que eu tinha muita força de vontade. Eu pensava: ‘Não é certo perder toda a minha vida de uma hora para outra’”, garante Sandra Mara.
Os primeiros passos, ela diz, eram em “ritmo de tartaruga”. Na hora de falar, os problemas não eram menores. “Tinha um garotinho, meu vizinho, que na época tinha 2 anos de idade e costumava me chamar de ‘vó’. Às vezes eu dizia alguma palavra errada e ele me corrigia: ‘Não ‘vó’, não é assim’, afirma Sandra Mara.
Graças a um longo trabalho de fisioterapia realizado com diferentes profissionais (inclusive da Universidade do Sagrado Coração - USC - e da Sorri Bauru), hoje Sandra Mara leva uma vida parecida com a que tinha antes do AVC. “Voltei a fazer meus trabalhos de artesanato, a limpar a casa. Já avancei bastante, mas quero realizar tudo aquilo que fazia antes do ‘derrame’”, diz.