08 de julho de 2026
Geral

Pais têm função de orientar os filhos

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

O fato de as escolas oferecerem educação sexual às crianças e adolescentes (ainda que de maneira pouco abrangente) não significa que os pais devam se sentir de mãos lavadas. De acordo com os especialistas, a participação da família é essencial para que o trabalho de orientação seja de fato bem sucedido.

“Os pais devem se inteirar sobre o que a escola está transmitindo aos filhos, para que possam complementar aquilo que está sendo oferecido em sala de aula. Mais que isso: devem, também, ser exemplo para as crianças e adolescentes. Se o marido desrespeita a esposa, por exemplo, como o casal será capaz de transmitir para os filhos uma visão saudável a respeito da sexualidade?”, pondera a psicóloga bauruense Maria Lúcia Biem.

Um projeto que vem sendo desenvolvido em Bauru, no Núcleo de Ensino Renovado (NER) - região leste da cidade -, tenta aproximar os pais do processo de orientação oferecido pela escola.

Desenvolvida por alunos do 6.º ano do curso de psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru e voltada para os alunos das 7.ª e 8.ª séries, a iniciativa consiste em encontros semanais, com cerca de uma hora e 40 minutos duração, entre estudantes e estagiários, onde são discutidas questões referentes à sexualidade (desde funcionamento do aparelho reprodutor até temas mais complexos como masturbação, homossexualidade, bissexualidade e aborto).

“Nossas intenção é discutir com os alunos a respeito da sexualidade, não apenas a partir de aspectos biológicos, mas das dúvidas e que permeiam o assunto”, afirma a diretora do NER, Cláudia Regina Matas Lopes.

“Não se trata de uma aula expositiva, mas sim de uma espécie de ‘oficina’, em que jogamos informações aos alunos para que eles possam participar da discussão”, explica Jurandir de Oliveira, um dos estagiários do projeto.

“Antes de começar as discussões, tentamos captar o que eles sabem a respeito de determinado assunto. Esse conhecimento prévio deles é que servirá de ponto de partida para o nosso trabalho”, diz Karen Batista, outra estagiária do projeto.

Os estudantes de psicologia afirmam que, em geral, os adolescentes costumam demonstrar um certo grau de conhecimento a respeito dos temas abordados durante as discussões. “Eles têm, por assim dizer, o vocabulário treinado. Pode ocorrer, por exemplo, de você perguntar: ‘É possível uma garota engravidar na sua primeira transa?’, e eles responderem que sim. Se você questionar o porquê disso, porém, muitos não conseguirão explicar”, diz a estagiária Maiara Medeiros Bru.

O trabalho de construção do conhecimento desenvolvido por eles não fica restrito à sala de aula. Os estagiários costumam fazer visitas programadas às casas dos alunos, para explicar os objetivos do projeto e para conhecer de perto das dificuldades que os pais sentem para abordar a questão.

“Nossa função é oferecer informações científicas que permitam aos adolescentes criarem uma reflexão crítica sobre o tema. A família não pode ser deixada de fora do processo. Ela tem de se envolver ativamente no processo de construção de valores a respeito da sexualidade, dialogando e ajudando o jovem a tomar as melhores decisões possíveis no que diz respeito ao seu corpo e à sua sexualidade”, avalia a professora do departamento de psicologia da Unesp de Bauru Marisa Eugênia Melillo Meira, coordenadora do projeto, que vem sendo desenvolvido no NER há 12 anos, e hoje é considerado referência no município por conta dos resultados obtidos ao longo do tempo.