09 de julho de 2026
Internacional

Geórgia aprova ‘estado de guerra’

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Poti - O Parlamento da Geórgia aprovou ontem a prorrogação do “estado de guerra’’ no país por mais duas semanas, reagindo à manutenção de postos de controle militar russos fora das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia. Para Tbilisi, a retirada - que Moscou declarou concluída na noite de ontem- foi apenas parcial e descumpriu o cessar-fogo.

Os termos do compromisso, mediado pela França em nome da União Européia, admitem que a Rússia mantenha militares na Geórgia, mas restringem seu alcance. A presença dos soldados deveria se limitar aos territórios autonomistas, onde os russos mantinham tropas desde os acordos de paz entre o governo georgiano e grupos separatistas locais na década de 1990, e suas adjacências, num raio de dez quilômetros das respectivas divisas regionais.

O cessar-fogo não estabeleceu, porém, um calendário para a saída das tropas -brecha que os russos tentam usar para prolongar indefinidamente a presença no país. Vencedor militar do conflito de seis dias, detonado pela tentativa georgiana de retomar pela força o controle da Ossétia do Sul, o Kremlin já sinalizou que a situação na ex-república soviética não voltará ao status anterior ao confronto.

O presidente russo, Dmitri Medvedev, e seu chanceler, Sergei Lavrov, reiteraram diversas vezes que apoiarão a independência dos encraves autonomistas. O georgiano Mikhail Saakashvili afirma que não permitirá a secessão. “A Geórgia não tem territórios sobrando para ceder a ninguém”, disse anteontem, em cadeia nacional de TV, o presidente, que busca levar seu país à Otan (aliança militar ocidental).

Ao longo do dia, as tropas russas tinham se movimentado em direção aos territórios autonomistas. À noite, o ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov, declarou completa a retirada, afirmando que “o lado russo (do acordo) foi inteiramente cumprido”. Fora da Ossétia do Sul e da Abkházia, o Kremlin manteve 500 homens, “responsáveis por medidas adicionais de segurança”.

Não foi o bastante para Tbilisi. Os postos de checagem na principal rodovia do país ainda dão à Rússia capacidade tácita de interromper o trafego e isolar a capital. Segundo o Kremlin, a presença visa impedir agressões da Geórgia aos territórios autonomistas.

Ajuda internacional

O governo da Geórgia tenta obter algo entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões em ajuda para realizar obras de reconstrução e de infra-estrutura depois do conflito deste mês com a Rússia, afirmou na sexta-feira a chefe da agência de auxílio do governo norte-americano.

“Esse dinheiro serviria para a reconstrução e para as obras de infra-estrutura. O montante não tem relação somente com os estragos provocados nos conflitos. Visa também incentivar o desenvolvimento”, disse Henrietta Fore, que comanda a Usaid.

Segundo Fore, o pedido dizia respeito também à concessão de ajuda para prover um lar aos georgianos obrigados a deixar suas casas.

Os bombardeios e as ofensivas por terra realizados pela Rússia atingiram principalmente itens da infra-estrutura militar da Geórgia, incluindo o porto militar de Poti, à beira do mar Negro, o aeroporto militar localizado perto de Tbilisi e bases militares do país.