Botucatu - O ginecologista e obstetra Jorge Nahás Neto, médico do departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de medicina de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), alerta para a necessidade de as mulheres realizarem a terapia hormonal, ao entrarem na menopausa.
Segundo ele, 85% das mulheres sofrem com os desconfortos causados pela menopausa. Os sintomas mais freqüentes são ondas de calor, suores noturnos, irritabilidade, insônia, perda de concentração, humor instável, apatia e diminuição do desejo sexual (libido), decorrente da perda de lubrificação e elasticidade vaginal.
Além desses sintomas, há casos mais graves de ansiedade, fadiga, depressão e perda de memória. Para aliviar os transtornos provocados pela menopausa, Nahás Neto recomenda o auxílio de um médico especialista para orientar a terapia hormonal.
O especialista acredita que a falta de informação, aliada à má condição financeira, levam a mulher a não procurar um especialista quando entra na idade que ocorre a menopausa, por volta dos 50 anos.
“O que eu acho é que falta difundir a informação. Falta, no serviço público, a mulher ter acesso ao ginecologista. Apesar de ginecologia ser uma área geral, eu acho que é muito pouco abordada no posto de saúde, por exemplo”, comenta.
Segundo ele, a terapia é importante porque faz a recomposição dos hormônios de forma muito semelhante àqueles antes produzidos pelos ovários no corpo feminino. O método é feito a partir do próprio hormônio natural da mulher, o estrogênio, ou de uma substância sintética semelhante ao hormônio.
O ginecologista ressalta que os primeiros cinco anos de falência dos ovários (climatério e menopausa) são os mais importantes para se fazer a intervenção hormonal, pois acredita-se que o hormônio estrogênio tenha efeito protetor nas coronárias, impedindo a formação de placas ateroscleróticas – causa de doenças cardiovasculares.
“Além disso, a terapia estrogênica estabiliza a perda dos osteoclastos, prevenindo a osteoporose. Mulheres que fazem reposição hormonal têm uma proteção óssea seis vezes maior”, afirma o especialista.
Medicamento
De acordo com o médico, nem todas as prefeituras fornecem gratuitamente o medicamento para tratamento de reposição hormonal, que custa em média R$ 35,00 mensais. “Se estiverem em um ambulatório publico as pacientes não vão achar tão barato”, lembra. Em média, o tratamento é feito durante cinco anos. “Não existe um período determinado. Isso varia de mulher para mulher. Cada caso é um caso”, ressalta Nahás Neto.
A consulta a um médico, no entanto, é muito importante porque existem alguns casos em que é contra indicada a reposição hormonal. Os principais casos são: mulheres que tiveram câncer de mama, câncer de útero, trombose, tiveram acidente cardio-vascular, problemas no fígado, doenças do fígado ativas e sangramento vaginal não esclarecido.
Pesquisa
Segundo pesquisas, a mulher latino-americana entra na menopausa, em média, aos 48,6 anos. Estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2005, sobre o perfil da mulher no climatério (fase da mulher que antecede a menopausa e em que há uma diminuição dos hormônios sexuais), mostra que 74% das mulheres brasileiras nunca fizeram terapia hormonal; 18% se submeteram ao tratamento em algum momento e apenas 8% o fazem atualmente.
O especialista avalia que, atualmente, a mulher de meia-idade está numa fase de franca produção, tendo muito a oferecer ao mundo e em condições de usufruir muitos prazeres da vida. “Por esta razão não devemos deixar que a menopausa impeça a mulher moderna de viver a plenitude de sua maturidade”, afirma o médico.