A vitória de 2 a 1 sobre o Fortunato não retirou a equipe do Nova Bauru do quadrangular da morte. O adversário já estava no quadrangular da morte em que quatro times vão se enfrentar e dois caem para a segunda divisão da Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA). Em jogo realizado sob o sol das 10h10 ontem, no gramado ruim do estádio Nelson Reginato do Canto, no Jardim Redentor, o Nova Bauru poderia ter goleado, mas venceu por placar apertado em partida em que o ataque desperdiçou pelo menos quatro outras chances claras de gol.
O jogo que terminou com um jogador expulso de cada lado começou truncado. O campo de terra dificultou o domínio de bola. Mesmo assim, o Nova Bauru mostrou mais organização e empenho no ataque desde o começo da partida. Logo aos sete minutos, Cristiano recebeu bom lançamento pelo meio da zaga do Fortunato, mas dominou com a mão.
Era o prenúncio do que viria quatro minutos depois. Em uma falta bem cobrada pelo lado direito do ataque, o ala Alê, que apoiava bem pela esquerda, cabeceou sozinho na primeira trave e abriu o placar para o Nova Bauru. Um minuto depois, em boa troca de passes na frente da área do adversário, o atacante Cristiano ampliou: 2 a 0.
Os gols assustaram o Fortunato e a equipe do Nova Bauru perdeu a chance de aplicar goleada aos 13 e 15 minutos. No primeiro lance, Viola chutou com perigo da entrada da área e, no segundo, o Fortunato perdeu a bola na defesa e cometeu falta pela esquerda, também desperdiçada.
Aos 21 minutos, o centroavante Civaldo recebeu nova bola roubada da defesa adversária, mas também concluiu mal, em outra chance clara de gol. Um minuto depois, o árbitro Antonio Sanches aplicou cartão amarelo no zagueiro Alex do Fortunato, que matou jogada perigosa na entrada da área, pelo lado esquerdo do ataque adversário. O meia Rica, principal articulador do Nova Bauru, cobrou bem, mas a bola explodiu na trave.
O jogo seguiu com divididas ríspidas no meio de campo. Quatro jogadores do Fortunato deixaram a partida por contusões. Enquanto isso, o Nova Bauru tentava suportar o calor e a disputa acirrada no meio, mesmo sem reservas no banco.
A dificuldade na saída de bola quase custou o terceiro gol ao Fortunato aos 25, mas Civaldo voltou a concluir pra fora. Só aos 27 o Fortunato assustou o gol do Nova Bauru. O atacante Pilo cobrou bem a falta, mas Jacaré fez boa defesa. Aos 30 minutos, Lázaro entra no lugar de Chumbinho, machucado, e dá mais movimentação ao Fortunato.
O Fortunato só assustava em bolas paradas. Aos 37, Pilo bateu forte nova falta e no rebote Perdigão – que havia entrado no lugar de Birão, contundido - diminui para o Fortunato: 2 a 1. O técnico Fernando Américo cantou a jogada: pediu para a falta ser batida forte e rasteira e mandou o ataque ficar de olho no rebote.
A opção por faltas para matar as jogadas, dos dois lados, custou caro para o Nova Bauru. Reginaldo dividiu com o pé por cima da bola e foi expulso. Aos 18 minutos, o volante já tinha recebido o cartão amarelo por barrar contra-ataque adversário.
Princípio de tumulto
A expulsão esquentou ainda mais o jogo, boa parte em razão da interferência de torcedores, que inflamaram os jogadores em protesto ao árbitro. Além de ficar com um jogador a menos, o Nova Bauru, que jogava melhor, viu o Fortunato equilibrar a partida. E o empate só não saiu aos 45 e 47 minutos porque, no primeiro lance, uma falta perto da área foi mal cobrada e, depois, Perdigão perdeu o tempo de bola com o quique no piso ruim do campo e acabou dividindo a bola com o goleiro do Nova Bauru.
De volta para o segundo tempo, a água e a presença de três motos e duas viaturas da Polícia Militar acalmaram os ânimos. O aparato policial foi solicitado pelo árbitro da partida. Com a bola rolando, o Fortunato é quem teve chance de empatar, aos quatro minutos, em uma bobeira de Rica que perdeu a bola ao tentar sair jogando. Por sorte, o ataque do Fortunato desperdiçou.
Aos nove minutos os dois times ficaram com 10 jogadores em campo: O volante Carlos César deixou o Fortunato com um a menos ao fazer falta deslearl na saída de bola. O próprio técnico, Fernando Américo, repreendeu o jogador: “o juiz acertou, você não tinha de fazer falta boba no meio”.
Ainda assim, aos 16 minutos o Fortunato continuou pressionado e, na base da vontade, quase empatou. Em uma bola dividida com o goleiro do Nova Bauru, a zaga evitou o empate em cima da linha. O esforço para tentar o empate exigiu a saída do centroavante Zique do Fortunato, com Doulgas entrando em seu lugar.
Mas o que parecia ser reação acabou não se convertendo em volume de jogo. O Nova Bauru se reorganizou e a partir dos 20 minutos passou a roubar a bola e só não aplicou uma goleada porque seu ataque perdeu pelo menos quatro chances claras de gol, ou por precipitação ou displicência nas conclusões. As chances de matar o jogo ainda esbarraram em duas lindas defesas de Laio pelo Fortunato.
O jogo terminou com o mesmo placar do primeiro tempo. O Fortunato deixou o campo sabendo que precisa produzir muito mais para não ser rebaixado no quadrangular da morte. O Nova Bauru lamentou as chances desperdiçadas e o empate do Ipiranga (2 z 2 com o Milan), resultado que manteve a equipe entre os quatro últimos do campeonato, apesar da vitória de ontem.
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Quadrangular da morte
Apesar da vitória, os coordenadores do Nova Bauru, José Carlos e Hélio lamentaram a presença da equipe no torneio final entre as quatro piores equipes do campeonato. Dois se salvam e os demais caem para a segunda divisão da LBFA. Nova Bauru, Fortunato, Porto e Vila Nova vão para a disputa contra a degola.
“Perdemos muitos gols e a partida acabou ficando complicada porque não matamos a partida no início e depois voltamos a desperdiçar muitas chances no segundo tempo. Os gols estão fazendo muita falta ao nosso time e foi assim desde o início deste campeonato. A equipe criou muitas chances em quase todas as partidas, mas vacilou e por isso está nesta situação difícil”, avaliou José Carlos.
Do lado do Fortunato, Fernando Américo, reclamou dos jogadores. “Neste jogo faltou mais vontade e paciência ao nosso time. O time começou muito atrás e perdeu por isso. A vitória do Nova Bauru foi justa. Jogaram melhor”, avaliou.
Sobre a presença nas últimas colocações, os coordenadores Américo e Zé Maria lamentam a perda de jogadores na formação da equipe. “Nós nos preparamos bem, mas começamos perdendo cinco jogadores para outros times, jogadores que jogaram amistosos de preparação com nosso time e depois foram levados por adversários. Fez falta, eram todos do meio campo e desestruturou o trabalho que estava organizado. Times como o Oriente, Estrela e Bauru XVI conseguiram nossos atletas com incentivo financeiro”, reclamou o técnico do Fortunato.