09 de julho de 2026
Internacional

Problemas do mundo precisam de soluções multilaterais, afirma papa

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Cidade do Vaticano - Os países que agem unilateralmente no cenário mundial minimizam a autoridade das Nações Unidas e enfraquecem o amplo consenso necessário para enfrentar problemas globais. A afirmação foi feita hoje pelo papa Bento XVI, em discurso na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Durante o discurso, o papa também disse que a comunidade internacional, às vezes, tem de intervir quando um país não pode proteger seu próprio povo das graves e contínuas violações aos direitos humanos.

O papa, que chegou ontem a Washington para a segunda parte de sua viagem de seis dias aos EUA, tornou-se o terceiro pontífice na história a discursar para a Assembléia Geral da ONU. Falando em francês e inglês, ele fez um abrangente discurso sobre assuntos como globalização, direitos humanos e desenvolvimento.

Ele disse que a noção de consenso multilateral estava “em crise porque ainda está subordinada a decisões de poucos, enquanto os problemas do mundo pedem por intervenções de maneira coletiva pela comunidade internacional”.

Apesar de Bento XVI não mencionar nenhum país específico, a referência pode ter sido destinada aos EUA, que liderou a invasão do Iraque em 2003, apesar de o Conselho de Segurança da ONU desaprovar a decisão.

Em uma suposta referência ao conflito sudanês da região de Darfur, o papa disse que todo Estado tem “responsabilidade primária” para proteger seus cidadãos das violações dos direitos humanos e crises humanitárias, mas intervenções de fora, às vezes, são justificadas.

Recepção

O papa chegou às 9h45 hora local (10h45 de Brasília) ao aeroporto internacional John F. Kennedy, de Nova York, cidade onde ficará por três dias, e se dirigiu à sede da ONU.

Ele foi recebido pelo governador de Nova York, David Patterson, e o prefeito da cidade, Michael Bloomberg, assim como pelo arcebispo local, o cardeal Edward Egan, e o núncio observador nas Nações Unidas, Celestino Migliore, além de outras autoridades civis e religiosas.

Do aeroporto nova-iorquino o pontífice foi levado de helicóptero até o heliporto de Wall Street, no sul de Manhattan, e dali, em uma caravana oficial de automóveis até a sede da ONU.

Hoje, ele vai celebrar uma missa para 3 mil clérigos e religiosos na catedral de St. Patrick, o maior templo gótico dos Estados Unidos, enquanto do lado de fora 5 mil fiéis poderão ouvir e ver a celebração religiosa em telões gigantes.

No mesmo dia, o papa se reunirá no seminário de St. Joseph, em Yonkers, com um grupo de 50 jovens e crianças portadores de necessidades especiais, e no domingo visitará o marco zero (área onde ficavam as torres do World Trade Center destruídas nos atentados de 11 de setembro de 2001).

Depois, vai celebrar uma missa no estádio dos Yankees, no bairro do Bronx, de maioria latina, e então voltará a Roma.