09 de julho de 2026
Nacional

Procuradoria pede ao STF que Daniel Dantas volte à prisão

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O Ministério Público Federal pediu ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, volte para a prisão.

Para o autor do pedido, o subprocurador da República Wagner Gonçalves, o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, suprimiu instâncias e ofendeu a jurisprudência da própria corte ao anular a prisão decretada pelo juiz federal da 6.ª Vara Criminal de São Paulo, Fausto Martin De Sanctis, de primeira instância.

Dantas foi preso no dia 8 de julho, data da deflagração da Operação Satiagraha. No mesmo dia, às 17h40, a defesa pediu a soltura do banqueiro no STF. A concessão veio no dia seguinte pelas mãos de Mendes. Dia 10, por determinação de De Sanctis, o banqueiro voltou para a prisão. Menos de 24 horas depois, a ordem foi cassada pelo presidente do Supremo. “Não pode essa Suprema Corte apreciar diretamente ato de juiz singular (...) sob pena de supressão de instâncias”, disse o subprocurador, que pediu uma nova prisão contra Dantas.

Pela legislação, uma decisão da Justiça federal de 1.ª instância só pode ser revista pela 2.ª instância (TRF), que pode ser revista pela 3.ª instância (STJ), que, por fim, pode ser revista pela quarta e última instância (STF).

No relatório, o subprocurador ressaltou “um fato curioso”. Quando a defesa de Dantas recorreu a Mendes para anular a segunda prisão, enviou cópia incompleta da decisão do juiz, sem as últimas quatro folhas. Com base nesse material, Mendes decretou a soltura em caráter liminar (provisório).

Com o parecer do Ministério Público Federal em mãos, a 2ª Turma do STF irá julgar o mérito da decisão de Mendes. O relator é o ministro Eros Grau, que também soltou, no início do mês, Humberto Braz e Hugo Chicaroni, supostos intermediadores de Dantas na tentativa de suborno de um delegado da PF.