07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

“O lado sujo da moeda”


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Enquanto os fogos em Pequim anunciam o fim de mais uma edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, os países participantes estimam seus resultados finais: China e EUA, não coincidentemente os mais ricos do planeta, no topo; o que sobra de metal é dividido para o resto dos participantes. Até aí, tudo bem, eis o espírito olímpico. Qual seria, então, o segredo desses países-atletas? Estabilização econômica? Incentivo ao esporte? Educação? Talvez o buraco seja bem mais embaixo.

A China, por exemplo, não esconde dos olhos do mundo sua fábrica de talentos. Os atletas de ouro de hoje são literalmente selecionados nos berçários chineses. Abdicam dos anos puros da vida, da família, dos amigos, da formação intelectual etc para representarem seu país, com o único objetivo de transformá-lo numa superpotência. E não basta competir não. Espírito olímpico se chama “primeiro lugar”.

Eis o outro lado do esporte: meio de inclusão social sim, mas de exclusão social também, pois aqueles fracassam pelo caminho não recuperam os anos perdidos de dedicação à pátria, principalmente no campo de mercado de trabalho, visto que a única coisa que sabem fazer foi descarta em nome de segundos, décimos de segundo e recordes não alcançados. Sei que esse argumento possa parecer choro de perdedor, mas talvez o primeiro lugar não seja tão “olímpico” quanto parece.

Victor Savi