08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Quem estamos criando?


| Tempo de leitura: 2 min

Vem sendo cada vez mais comum para os jovens encontrarem cenas de violência ao seu redor, seja ela praticada verbalmente ou fisicamente. Por motivos banais - ou simplesmente pelo preconceito -, as brigas entre os jovens estão aumentando a cada dia e se tornando comuns aos olhos da sociedade.

Esse tipo de violência começa cedo, normalmente com “brincadeiras” verbais no período do Ensino Fundamental I - de 1ª a 4ª série. À primeira vista, acreditamos não ser nada além de uma brincadeira inocente entre crianças, porém, se as famílias, juntamente com a escola, não ensinarem que essa prática de violência é errada, a primeira porta para a criança vir a se tornar um adolescente violento será aberta.

A família é um fator determinante e de extrema importância na formação do caráter das novas gerações, todavia, alguns pais parecem se esquecer que os valores morais têm de ser passados em casa.

Aliado a esse suposto esquecimento, podemos citar também a ignorância de alguns pais sobre os filhos: muitos pais não sabem quem são as companhias dos filhos, o que fazem quando saem de casa, suas opiniões sobre assuntos importantes para a formação de caráter pessoal etc.

As notas baixas e o mau desempenho na escola parecem não assustar, assim como as supostas “brincadeiras entre crianças”, que ano a ano ficam mais agressivas. Essa despreocupação, que aguarda sempre por uma melhora para o próximo ano, que nunca vem; essa alienação sobre a vida do filho e principalmente o excesso de liberdade concedido a esses jovens, são os conceitos que muitos pais adotam para serem “pais modernos”.

Mas que tipo de modernidade é essa? Veio para aniquilar o interesse dos jovens pelos estudos? Banalizar a cultura brasileira, principalmente em relação à música? Ou ainda, deixar os princípios morais e éticos praticamente jogados no lixo? A modernidade deveria vir para o progresso da sociedade em geral, não para o retrocesso! Essa nova geração está crescendo sem senso crítico, sem cultura, sem valores éticos e morais, e pior, sem limites!

Toda essa ignorância é um canal de entrada para o preconceito – definitivamente, não há preconceito se não houver ignorância. Esses jovens ignorantes, alegando a diferença do próximo, vêem motivos para praticar a violência, que antes era apenas verbal e agora agregou a violência física. Baseados no preconceito e aliados à ignorância, esses rebeldes estão causando pânico na população e traumatizando suas vítimas, que são diferentes do “padrão” por eles adotado.

Até quando a sociedade terá de temer esses jovens sem controle? Até quando seremos vítimas da irresponsabilidade de alguns pais que se consideram “modernos”? Perguntas que só se calarão quando todos assumirem seu papel de cidadão e decidirem encarar os problemas sociais que atualmente enfrentamos.

José Henrique Miziara - 15 anos - aluno do Fênix-Anglo