09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O rádio e a saia justa


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Fiquei na maior saia justa perante o meu filho, que é apaixonado por rádio e quer ser radialista, nesta manhã de terça, 26 de agosto. Para que vocês entendam, ele tem 19 anos, concluiu o curso de radialista, setor locução, do Senac, e atualmente faz o ensino médio no Ceesub, tudo em braile, pois é deficiente visual.

Nós dois estávamos escutando rádio AM e eu lhe dizia que a melhor escola de radialista do mundo é o rádio AM, pois é dinâmico, presente nas notícias e ainda toca todos os estilos musicais sem qualquer preconceito. Como sua adrenalina sempre está a “mil por hora”, ele me fez a pergunta de sempre:

- Mas quando o senhor vai me levar para fazer teste numa rádio comercial, pai? Eu não agüento mais ficar esperando! Enquanto eu lhe respondia que a preparação tem de ser bem feita e aqui em Agudos, na nossa rádio comunitária, ele tem um “laboratório” de treinamento a sua disposição para somente daqui uns dois anos, quando ele estivesse, digamos assim, “afinadinho”, tentar abrir um espaço de trabalho remunerado em Bauru, numa rádio comercial, a rádio que escutávamos pois no ar um vendedor de colchão que conseguiu pronunciar umas oito vezes a palavra “po-bre-ma” sem que fosse cortado do ar.

O tal produto era bom para “pobrema” nas pernas, “pobrema” na coluna, “pobrema” em tudo. E meu rosto vermelho de vergonha, mas o meu filho ainda bem que não viu. Ele é cego! Só queria saber porque eu estava respirando pesado e engolindo seco, quando eu lhe respondi... por nada filho, por nada... (chorei sem deixar ele perceber).

Jeronymo Bigarelli Neto - RG 16.156.691