O continente europeu foi bastante explorado por nosso grupo, porém o Leste, com seus países egressos do regime comunista, era desconhecido da maioria. Juntamos um bom grupo – 15 pessoas: José Carlos, Norma, Vera, Rita, Neuton, Nilza, Alzira, Bernadete, Maria Tereza, Durval, Dilce, Maria José, Paulo e nós e partimos.
Nosso primeiro destino era a República Checa, mais precisamente Praga. Lá visitamos o centro velho, o relógio astronômico, a torre da prefeitura e fomos almoçar numa choperia típica da terra das “pilsen”... No dia seguinte fomos a Karlovy Vary, cidade termal que parou no século 19. Visitamos suas alamedas, as termas (as águas saem quase no ponto de ebulição) e os hotéis, palco de um filme que sempre se repete na TV – sobre uma novaiorquina condenada a morte por defeito do aparelho de exame – “As férias da minha vida”.
Depois rumamos para Áustria. Atravessando os bosques e colinas da Boêmia e Morávia, chegamos à Viena, que foi a capital dos Habsburgos, do antigo Império Austro-Húngaro. A cidade das valsas e dos grandes músicos é dominada pelo rio Danúbio, mas a grande visita é o Palácio de Schönbrunn, onde viveu a imortal Sissi, levada à tela por Romy Schnneider.
A “gloriete” ao fundo é uma obra da arquitetura vienense. No palácio há uma árvore genealógica dos Habsburgos e lá está D. Leopoldina, esposa de D. Pedro I e mãe de D. Maria Glória, que reinou em Portugal. À noite, num restaurante sob o prédio da prefeitura, jantamos e assistimos um espetáculo folclórico com excelentes cantores.
De Viena, viajamos a Budapeste, Capital da Hungria. Dr. Tourinho, passamos a concordar, esta é a cidade mais linda da Europa, cortada pelo rio Danúbio, de um lado Buda (onde ficava nosso hotel) e do outro, Pest, com o belo edifício do Parlamento. Uma das pontes é a branca, mandada construir pela Imperatriz Sissi. No centro velho fomos ao Mercado, com tudo o que comprar. Conhecemos a Praça dos Heróis, onde são reverenciados todos os que colaboraram na construção da Hungria, desde os magiares.
Depois, seguimos para Cracóvia, na Polônia. A ansiedade para chegar na terra de João Paulo II era grande. As minas de sal de Wieliczka, cuja descida ao fundo é de 139 metros (de escadas), onde vamos encontrar tudo elaborado com sal-gema, desde a estátuas até uma catedral no seu piso mais inferior. É uma experiência sem paralelo.
Em Wadowice, fomos visitar a casa de João Paulo II, mantida como um museu. Continuando a viagem, chegamos a Czestochowa, terra da “Virgem Negra” (Mosteiro de Jasna Gora), com a magistral igreja, terminais de ônibus, estacionamentos, restaurantes, movimento semelhante ao de Aparecida do Norte.
Ainda na Polônia, seguimos para Varsóvia. Pé na estrada, mas no tour da cidade chamou-nos a atenção dois pontos: a) o Jardim com a estátua de Chopin, sob um salgueiro chorão, sua árvore preferida e b) o Monumento do Gueto de Varsóvia, onde os judeus se revoltaram contra o fechamento murado pelos nazistas (está no filme “Lista de Schindler”).
À tarde aproveitamos para conhecer os campos de concentração nazistas de Auschiwtz e Birkenau, onde, aproximadamente 1 milhão e meio de judeus foram executados nas câmaras de gás e levados aos crematórios. Entre os pontos de visita estava a Sala de Cirurgia de Joseph Mengele (onde fazia sua experiências com prisioneiros). Lê-se na placa da época – entrada proibida. É impactante ver a ferrovia onde eram separados crianças e idosos que iam direto para a morte no gás (ziklon b) – há um museu completo.
Na Alemanha, seguimos para Berlim. Saindo de lá, fizemos uma parada em Poznan, onde almoçamos comida típica e conhecemos seu centro velho e a estória dos dois cabritos... Percorremos as duas Berlim’s, a oriental e a ocidental, separadas pelo Muro (onde muita gente foi morta em busca da liberdade) e com diferenças ainda hoje.
Edificações reconstruídas, como Reichstag (incendiado por ordem de Hitler, aliás, bastante esquecido por lá), a Porta do Brandenburg, o magnífico edifício do Sindicato dos Professores (precisamos mostrar ao professor Macalé), a Ilha dos Museus com o Altar de Pérgamo, o Egípcio com a verdadeira estátua da cabeça de Nefertiti e o ápice da viagem: Postdan, na periferia de Berlim, uma ilha de verde, onde fomos encontrar os Palácios de San Souci, construídos por Frederico II, o “déspota esclarecido”. Há palácios para hóspedes, para os serviçais e o pessoal do rei, frente a um magnífico jardim.
A viagem valeu pelas informações que vieram de forma enciclopédica e jamais serão esquecidas... Ao final, retornamos à colocação inicial: como países que passaram por duas Guerras Mundiais, que ficaram submetidas a regimes ditatoriais violentos, conseguiram superar seus problemas? Gostaria de lembrar um diálogo entre Winston Churchill (Primeiro-ministro da Comunidade Britânica) e Konrad Adenauer (Primeiro-ministro da Alemanha):
- Churchill: Adenauer, como vai recuperar a Alemanha, se suas indústrias e cidades foram destruídas ?
- Adenauer: Vocês destruíram fábricas e cidades, mas não destruíram o que o alemão tem dentro da cabeça...
Alguns anos mais tarde, a Alemanha Ocidental estava abrindo linhas de crédito para os ingleses....Quem tem escola se recupera, quem não tem, fica na mesmice...
Muricy Domingues é professor de geografia e história e Maria Luiza C. Domingues é professora e psicóloga.