Os profissionais que atuam em saúde pública não podem proibir ninguém de fumar, mas podem e devem adotar medidas para reduzir os riscos que o cigarro traz à saúde de fumantes e de não fumantes. Isso se chama promoção de saúde.
Uma das medidas consensuais entre os especialistas é a restrição dos ambientes onde o fumo é permitido. Nas décadas de 80 e 90 proliferaram os fumódromos como solução para livrar os não fumantes do incômodo que cigarros causam. Mas sabe-se que a fumaça não respeita fronteiras. Qualquer fresta, até mesmo o buraco de uma tomada, pode contribuir para a disseminação dos gases tóxicos emitidos pelo tabaco.
As pessoas que não fumam também podem ter complicações de saúde por inalar a fumaça do cigarro. Crianças que frequentam o mesmo ambiente que os fumantes adultos são fumantes passivos também, apresentando inclusive taxas altas de cotinina (metabólito da nicotina, encontrada no sangue, saliva e urina). Estas crianças costumam ter problemas respiratórios diversos, como rinites, sinusites e asma. Em São Paulo a Secretaria de Estado da Saúde vem estimulando, desde 2007, a restrição do fumo em espaços fechados por meio da concessão do selo Ambiente Livre de Tabaco a instituições que eliminem o cigarro de seus ambientes, removendo inclusive fumódromos.
Para obter o selo, o estabelecimento precisa seguir as normas de uma cartilha formulada pelo Comitê Estadual Ambientes Livres do Tabaco, formado por representantes do Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod), Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Ministério da Saúde e Instituto Nacional de Câncer (Inca), além de organizações não-governamentais. Após ser considerado apto, o local recebe uma última inspeção, realizada sem aviso prévio, antes de ser reconhecido oficialmente como livre de tabaco.
A adesão ao programa não é obrigatória, o que, em nosso entendimento, é uma vantagem. Os proprietários de estabelecimentos que pedirem o selo serão os maiores interessados em fiscalizar o cumprimento das normas, garantindo a proteção dos freqüentadores do local. Neste 29 de agosto, quando celebramos o Dia Nacional de Combate ao Fumo, é fundamental lembrar que o cigarro é responsável por problemas graves de saúde, como câncer e infarto. E que eliminar o fumo de ambientes fechados também depende da colaboração de empresários, entidades de classe e da sociedade civil organizada.
A autora, Luizemir Wolney C. Lago, é diretora do Cratod - Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras drogas - da Secretaria de Estado da Saúde