11 de julho de 2026
Articulistas

Da filantropia à ação conjunta: olhar sobre a atuação social das empresas


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Nestes tempos de globalização da economia, acompanhados por mudanças climáticas e pelo agravamento das desigualdades sociais, fala-se cada vez mais em responsabilidade social das empresas enquanto agentes econômicos poderosos podem, e devem, fazer a diferença em um ambiente que não resiste mais à dependência exclusiva da atuação do Estado. De fato, os números não indicam outra coisa: hoje, cinqüenta e sete grandes corporações encontram-se entre os cem maiores agentes econômicos do mundo. Em outras palavras, esses gigantes do setor privado apresentam renda superior ao PIB de grandes países e, conseqüentemente, espera-se deles uma atuação responsável e pró-ativa no que diz respeito à melhoria das condições sociais das regiões nas quais estão presentes. Embora mais acirrada nos dias de hoje, essa discussão não é nova. Desde o início do século XIX já era notória uma preocupação com a saúde e o bem-estar de seus próprios funcionários.

Mas foi no início do século XX que empresas norte-americanas, controladas por magnatas como Henry Ford e Andrew Carnegie, deram impulso a esse movimento, estabelecendo o princípio da “contrapartida social”. É o caso das conhecidas fundações Rockefeller e Ford, a primeira responsável por bolsas de estudo nos Estados Unidos, contemplando cidadãos norte-americanos e estrangeiros, e a segunda reconhecida pelo desenvolvimento de projetos sociais em diversas partes do mundo.

Com o aumento de sua relevância social, em sentido diametralmente oposto à perda da influência e do poder econômico dos Estados, as empresas têm reavaliado sua forma de atuação social.

Com seus quase noventa e seis anos de existência, a CPFL Energia atravessou diversas fases dessa discussão acima exposta. Um de seus programas sociais mais antigos ilustra bem as mudanças no pensamento sobre o tema e sua própria evolução. Trata-se do Programa de Revitalização de Hospitais Filantrópicos, as conhecidas Santas Casas de Misericórdia, presentes em todo Brasil e sempre enfrentando difícil situação econômica, em face de sua atuação prioritária como hospitais voltados para a população de baixa renda. A relação da CPFL Energia com esses hospitais sempre foi estreita e consistia, em um primeiro momento, em doações em contas de energia dos próprios hospitais, típico exemplo da visão filantrópica e assistencialista. Após sua privatização, em 1997, a empresa reviu os seus programas de responsabilidade corporativa e, com eles, seu programa de auxílio aos hospitais, substituindo as doações pecuniárias por doações de equipamentos hospitalares, a partir das necessidades específicas de cada hospital. Certamente essa foi uma política muito mais focada e que exigiu não apenas renúncia pecuniária, mas planejamento e acompanhamento por parte da empresa. Ainda assim, tratava-se de uma visão de cunho assistencialista que trouxe benefícios bastante limitados para os hospitais. Foi apenas com a revisão da própria política de responsabilidade da companhia é que foi possível transformar esse programa em uma referência nacional. Tratou-se, em primeiro lugar, de alinhá-lo às competências da empresa, ou seja: gestão de energia e de negócios. Firmando uma parceria com o Cealag, instituição de referência na capacitação de profissionais de gestão hospitalar, e buscando um planejamento conjunto com seu próprio departamento de eficiência energética, foi possível desenvolver um programa de melhoria da gestão voltada especificamente para os hospitais filantrópicos, extingüindo-se as doações, seja em dinheiro ou em equipamentos. Com o apoio do Governo do estado de São Paulo e da Unesp, o programa capacitou, em três anos, seis hospitais de referência que multiplicaram seus novos conhecimentos e processos para outros dezenove hospitais. Todos os seis hospitais foram avaliados pelo CQH (Certificação da Qualidade Hospitalar), sendo que quatro deles já obtiveram a certificação ouro.

O autor, Alexandre Chamas Filho, é gerente da regional Noroeste da CPFL Paulista